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Publicado: Sábado, 5 de janeiro de 2019

Consumo Desenfreado.

Consumo Desenfreado.

Trabalhamos mais para consumir mais ou consumimos mais e com isso temos que trabalhar mais ?

Ao me deparar com esta questão parei para pensar e fiz um flashback, quando escutava disco de vinil na vitrola (minha primeira era do Mickey, pequena e da cor laranja), dos dias que ficava esperando tocar a música preferida no rádio para gravar na fita cassete e na torcida para não vir com a vinheta, sempre em vão. E o vídeo game, enduro, pac-man, preto e branco e computador, nem tínhamos acesso, nossa como estou ficando velho ou seria experiente?

Enfim, passados esse início retro, ouvi pela primeira vez o termo “globalização”, matéria de estudo no colégio e objeto de trabalho, com direito a apresentação para a sala lá na frente, coisa que naquela época eu temia e evitava de todo jeito. Assunto alvo de manifestações em meados de 1990, mas que já vinha surgido e se massificado pós 2ª Guerra Mundial, tendo seu boom com o acesso à internet, a face mais visível do consumo desenfreado.

A compra de um carro novo, televisor de última geração, quer dizer, acho que a palavra última geração caiu de moda, pois praticamente em menos de um ano lançam um televisor novo, televisões de tela plana, plasma, LCD, agora surgiu a de LED e em 3D, 4K e já se ouve falar em 4D, e são tantas informações que não há tempo de apreender, quando aprende um, ah, já surge um novo modelo no mercado e você parte para se atualizar. Celulares então nem se fala.

E para não ficar atrás, se observa crescer um egoísmo consumista, onde as pessoas cada vez mais descartam produtos os quais poderiam ser reutilizáveis. Nos EUA, por exemplo, há todo ano na rua o descarte de eletrônicos, além de móveis e eletrodomésticos, tudo porque num determinado período as lojas liquidam seus estoques. E nós, caminhamos para isso. Passados as festas de final de ano, surgem as grandes ofertas, com pessoas fazendo fila já durante a madrugada, para adquirirem produtos que muitas vezes nem possuem necessidade de ter.

Há na verdade um círculo vicioso causador de grandes danos os quais passam imperceptíveis aos olhos das pessoas, pois quanto mais se consome, mais matérias primas são utilizadas, com isso, o ambiente mais se degrada, mais descartes são realizados e o que não é aproveitado, acaba nos lixões, pois ainda não temos uma política de consumo consciente, sendo aprovada somente no ano passado a lei de resíduos sólidos, a qual possui muitas arestas e muito a ser complementada e assim caminhamos para prejuízos de curto e longo prazo.

Você já parou para pensar em tudo o que tem? E melhor, você utilizou tudo isso durante o ano que passou? Isso me fez lembrar os meus avós, os quais guardavam sempre as coisas novas e usavam sempre as mesmas, eles sim sabiam consumir, por outro lado, não aproveitavam as novas, pois após o falecimento destes, algumas peças já estavam com a cor envelhecida, e muito se perdeu, o restante, bom o restante, aquela divisão desproporcional realizada pela família.

Mas focado ainda nesta análise a qual proponho, já prestou atenção no que pode ser reaproveitado, alterado, desmontado e recriado, ao invés de partir para a compra de um novo?

Uma boa maneira de praticar um consumo consciente e menos desenfreado é após está análise, separar tudo aquilo o qual de nada mais lhe servirá e doar, além de exercer a cidadania, a solidariedade enobrece a alma. Mas para aqueles capitalistas os quais custam a se desprender de seus objetos, há ainda a opção de vendê-los em brechós, uma boa maneira de diminuir o consumo desenfreado é freqüentar estes lugares, pois além de deixar por lá o que não se usa mais, ainda existe a possibilidade de trocar por algo.

Após a prática deste ato as pessoas poderiam praticar a tentativa de sair deste círculo vicioso, como ficar de pernas para o ar, sem pensar um pouco, e digo isso por experiência própria, de quem coloca um filme para ver, mas fica a pensar que ao invés de assistir poderia estar fazendo isso ou aquilo. Vamos tentar, é melhor do que se arrepender por não ter tentado, pare um pouco, RESPIRE, caminhe ao invés de pegar um ônibus em percursos curtos, observe o bairro onde você mora, as árvores, as pessoas, mas não se esqueça de olhar para atravessar a rua e tente acima de tudo, dedicar mais tempo para a sua família seja ela a biológica ou por afinidade e trabalhe na medida certa, não seja um escravo do trabalho, TRABALHE PARA VIVER E NÃO VIVA PARA TRABALHAR ! Aproveite a sua vida agora e não somente após a sua aposentadoria.

Há muita informação e somos bombardeados por segundo com tanta novidade, mas temos de ter o controle sobre a máquina e cabe a cada um refletir se realmente necessita daquele determinado produto e tomar sempre cuidado para não se deixar levar pelos apelos consumistas. Está lançado o desafio, agora só depende de você.

Rogério de Almeida Gimenez  - almeidagimenezadv@gmail 

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Rogério Gimenez

Rogério Gimenez

Advogado nas áreas cíveis, bancárias e defesa do consumidor. Atualmente reside em Itu e trabalha em São Paulo.

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