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Publicado: Domingo, 22 de abril de 2018

Compreendendo a síndrome da fragilidade

Compreendendo a síndrome da fragilidade
Professor Pedro ministrando curso sobre Fragilidade no idoso

A partir, de nosso nascimento todos nós estamos envelhecendo, mas será que com o avançar da idade a perspectiva é: todo idoso se torna frágil e todo sistema orgânico é acometido? Quando pensamos em envelhecimento, a primeira imagem que nos vem à mente é a de alguém vulnerável, caminhando para processos degenerativos que podem evoluir para uma fragilidade corporal orgânica ou até mesmo para uma doença grave e fatal. Essa visão é certamente equivocada e representa o final de um processo mal sucedido de envelhecimento, e não a realidade que buscamos ao promover diariamente a melhoria da saúde global e da qualidade de vida daqueles com mais de 60 anos.

Os estudos que relacionam envelhecimento e fragilidade, citam o termo “fragilidade” como resultado de alterações fisiológicas e biológicas associadas com a idade, resultado de uma ou de diversas doenças. Os autores sugerem que a síndrome seria o resultado de múltiplas alterações nos sistemas com certo grau de desregulação energética, fisiológica e funcional. Esse resultado é designado como síndrome da fragilidade, que é definida com a presença de uma ou mais dificuldades em realizar as atividades da vida diária (banho, locomoção, alimentação, higiene íntima, continência, capacidade de vestir-se).

A síndrome da fragilidade seria, na verdade, um potencial precursor fisiológico e um fator etiológico do estado de incapacidade em função de seus componentes centrais. A junção desses diversos fatores é responsável pela presença da síndrome e ela pode ou não coexisitir com incapacidades e comorbidades (existência de duas ou mais doenças em simultâneo na mesma pessoa).

O fenótipo da fragilidade proposto por Fried et al. para facilitar o diagnóstico engloba sensação de fraqueza, diminuição da capacidade de realizar atividades e redução no desempenho físico, que podem resultar em incapacidade funcional. De modo objetivo, os critérios podem ser assim expostos:

1-Perda de peso não intencional: maior de 4,5 kg ou superior a 5% do peso corporal no último ano;

2-Diminuição da força de preensão palmar, medida com dinamômetro e ajustada para gênero e índice de massa corporal (IMC);

3-Diminuição da velocidade de marcha em segundos;

4-Exaustão à queixas: “eu sinto que faço todas as minhas atividades com muito esforço” e/ou “eu não consigo continuar minhas atividades;

5-Baixo nível de atividade física à medida pelo dispêndio semanal de energia em kcal (com base no autorrelato das atividades e exercícios físicos específicos realizados) e ajustada conforme o gênero.

 

Referência Científica consultada

Fried LP, Tangen CM, Waltson J et al. Frailty in older adults: evidence for a phenotype. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2001;56:M146-M156

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Pedro de P. L. Aguiar

Pedro de P. L. Aguiar

Graduado em Educação Física pelo Ceunsp; Pós-graduado em bioquímica, fisiologia, treinamento, nutrição desportiva pela Unicamp; e Pós-graduado em fisiologia do exercício com ênfase em envelhecimento, saúde e doenças na USP.

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