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Publicado: Quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Chapecoense: o meu Verdão particular

Crédito: Internet Chapecoense: o meu Verdão particular
Não se perca a alegria de torcer e vibrar pelo Verdão do Oeste!

Demorei para escrever algo sobre a fatídica tragédia que vitimou as 71 pessoas do vôo da Chapecoense. Nas últimas três semanas a morte levou 3 pessoas do meu círculo de amizades. Nesta semana, a morte levou as 71 pessoas do acidente aéreo e parece que senti cada uma delas pesando no meu coração.

Senti muito a perda de um time inteiro, com tantos jovens, profissionais competentes do futebol, muitos com um futuro inteiro pela frente. Senti porque, nos anos que residi em Santa Catarina, a minha simpatia era pelo time de Chapecó.

O entusiasmo sempre marcou a torcida do Condá. Sempre foi um time aguerrido no Estado, temido e respeitado. Este ano foi o Campeão Catarinense e tinha em seu elenco um jogador que foi também Campeão Paulista pelo querido Ituano FC: o lateral Dener, campeão em 2014.

Não falo muito sobre futebol aqui. Não é o meu propósito. Mas a Chape sempre foi o meu Verdão particular. Não sou palmeirense, muitos sabem disso. O time alviverde pra quem eu dirigia a minha torcida estava sempre ali, no interior de Santa Catarina. Por isso, sofro um tanto como torcedor.

A tragédia levou também um outro meu conhecido: o narrador Deva Pascovicci, que residia em Sorocaba (SP) e fez muito sucesso nas transmissões da Rádio CBN. São inúmeros os jogos que acompanhei com a narração desse que ficou conhecido como "o Pavarotti do rádio brasileiro". Um profissional nota dez, ser humano fantástico. Venceu o câncer por duas vezes e deixou muitos exemplos de superação. Um verdadeiro amante do futebol e do bom jornalismo. Saber de sua partida doeu como a perda de um parente próximo.

De tudo que vi, ouvi e li a respeito desse doloroso episódio, o que mais me chamou atenção foi a parte final do diálogo do piloto da Lamia, Miguel Quiroga, com a torre de controle. A conversa foi divulgada inicialmente pela colombiana Bluradio, já vem sendo amplamente divulgada pela imprensa e certamente constará na caixa-preta da aeronave.

Instantes antes de cair, certamente já em desespero e ciente da queda que seria inevitável, talvez apenas alguns segundos antes do impacto, a última palavra do piloto foi: "Jesus!". O que veio em seguida, nem quero imaginar.

Para nós, cristãos, uma gota de Misericórdia é suficiente para lavar qualquer pecado. O nome de Jesus tem poder, todos sabemos. Que serão dessas 71 almas? Não sabemos. Realmente não temos como saber. Mas Jesus sabe. Ao menos no caso do piloto, seu último pensamento foi chamar pelo Filho de Deus...

Que Jesus Misericordioso possa acolher na eternidade as almas dessas pessoas vitimadas pelo acidente. Pessoas de bem, que faziam do esporte não apenas uma profissão, mas um ideal de vida. Eram pais de família, filhos e filhas. Esses falecidos sim merecem as nossas lágrimas, os nossos lamentos.

Para o futuro, oremos para que Deus possa consolar os parentes e amigos enlutados. E para que a Chapecoense possa se reerguer enquanto time. O objetivo era ganhar a Sul-Americana, mas a Chape acabou conquistando o mundo inteiro. O xodózinho do Brasil virou o xodózinho do planeta. Que os torcedores não percam a alegria de torcer e vibrar pelo Verdão do Oeste. Como disseram os colombianos em sua homenagem sincera: "Que se escute em todo o continente, sempre recordaremos a Campeã Chapecoense!".

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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