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Publicado: Segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Chamados à Realeza

A solenidade na qual celebramos a festa de Cristo Rei marca o final de mais um ano litúrgico. Na próxima semana já vem de novo o Advento, convidando-nos a uma preparação efetiva rumo ao nascimento de Jesus. Reis, rainhas e a realeza em geral servem como um bom ponto de partida para a nossa reflexão.
 
A monarquia já esteve mais em moda, principalmente entre os séculos X e XVII. Era a época dos Estados governados por reis, rainhas e imperadores. O sistema vigente era o absolutismo, na qual a vontade do soberano era mais forte que qualquer outra. Alguns reis chegavam mesmo a se considerar pequenos deuses.
 
Movimentos republicanos e democráticos apareceram logo depois da Revolução Francesa e da Revolução Industrial, dando o tom dos regimes de governo que vivemos hoje. Na parte ocidental do mundo, estranho é não ter uma democracia vigente. Os regimes totalitários conservam-se mais no Oriente Médio e em alguns países do lado oriental.
 
Na Europa, a monarquia tratou de adequar-se. As que sobraram em alguns países vivem hoje em sintonia com o regime democrático, principalmente com sistema parlamentarista e tendo como chefes-de-Estado a figura do(a) primeiro(a)-ministro(a). Nas Américas a monarquia decaiu de uso, fora raras exceções.
 
Quando se fala em monarquia, os que melhor representam essa idéia são os membros da família real inglesa. Fazem parte da agenda do mundo, tamanha a tradição que cultivam desde os tempos em que os domínios da Grã-Bretanha estendiam-se pelo mundo a ponto de que, para ela, o sol nunca se pusesse de fato.
 
Não é raro que os ingleses protestem contra a monarquia. Até hoje seus impostos sustentam a vida de toda a côrte, resultando um gasto anual de milhões de euros. Afinal reis e rainhas levam uma vida bastante confortável, com tudo do bom e do melhor. Há quem diga que, cargo melhor que esse, somente o de senador brasileiro, que pode gastar quanto quiser de suas verbas sem revelar aos eleitores como a está utilizando...
 
A ostentação da realeza é um contraste profundo com a pessoa de Cristo, para nós o Rei dos Reis. Para Jesus nunca importaram a riqueza e os bens materiais, o prestígio social e as facilidades da vida. Sua missão era justamente mostrar à humanidade que se prender a essas coisas seria tornar-se escravo do mundo e não soberano da própria vida.
 
Sim, somos chamados à realeza. Mas não com títulos reais concedidos de homens para homens. Quem deseja nos dar uma coroa é o próprio Deus, através de seu Filho Jesus. Ser rei é bem diferente de ser escravo. O servo não tem domínio sobre o próprio destino, muitas vezes vive humilhado e maltratado por um mau senhor. O rei é soberano da própria vida, conduz seus planos conforme deseja.
 
Fomos criados para ser reis, no sentido de que Jesus deseja que possamos ter liberdade de vivermos felizes seguindo os caminhos apontados por Deus. Não é vontade divina que passemos a vida como escravos do demônio e suas ciladas, servos dos nossos pecados e das tristezas da vida sem Deus.
 
Reis e rainhas deste mundo fizeram, fazem e farão guerras por questões políticas e materiais. O Rei dos Reis só pregou a paz em todos os níveis: consigo mesmo, com o próximo, com a comunidade. Jesus pregou a paz até mesmo em relação aos nossos inimigos, pedindo que rezemos por eles e que tenhamos a nobreza de oferecer a outra face.
 
Eis o exemplo a seguir para alcançarmos a coroa da vitória. Jesus nos ensina diariamente o caminho para que um dia, quando nos encontrarmos face a face com o Nazareno, possamos ter a alegria de receber de suas próprias mãos a nossa coroa. Devido às nossas limitações, é tarefa difícil. E por isso mesmo deve ser trabalhada com serenidade e oração, vigilância e prudência, um dia de cada vez.
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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