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Publicado: Quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Bebê a bordo

Bebê a bordo
Escultura de Seyo Cizmic

Ele rasgou o vento entre os retrovisores e desceu serpenteando a fila do semáforo para esperar o verde lá na frente. Ela balançou a cabeça, olhou no retrovisor para ver o filho sentado no banco de trás do carro e catequizou: "Tá vendo aí! Depois morre e não sabe o porquê. É um absurdo este Brasil! Gente sem educação. Tudo maloqueiro!". O bebê cuspiu a chupeta e balbuciou: "Mama". Ela deu um pulo! Emocionada, virou-se no banco, bagunçou a barriguinha do menino e foi dizendo palavras incompreensíveis quando o carro logo atrás buzinou: "Bóra, fia, tá verde!". "Vá a merda!", ela gritou, e saiu cantando os pneus. No fim da avenida, logo depois da curva, o motoboy estava caído no chão e algumas pessoas em volta o socorriam. Ela passou devagar e registrou entre os dentes: "Bem feito!". Chegou em sua casa contando as façanhas do pequeno ao marido, pegou o telefone e ligou para a pizzaria. Ao fim do pedido, uma recomendação: "Gente, vê se não demora muito que da outra vez eu até perdi a fome!".

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Conto... ou não conto?

Alex Pinheiro

Alex Pinheiro

Consultor em Turismo Receptivo e Turismo na Internet, exerce na literatura o seu desafio pessoal '1000 caracteres de uma história'. É colunista do jornal Taperá (Salto-Itu-Indaiatuba)

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