Colunistas

Publicado: Segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

As três Irmãs

Premida por miséria extrema, Rosalina concordou em dar as três filhas para pessoas caridosas que quisessem cuidar delas.
  
As três irmãs foram para casas diferentes onde cresceram isoladas da própria família.
 
Leda, a mais velha,foi acolhida por um casal de jovens recém-casados.
  
Como não podiam pagar uma empregada e não estavam a fim de enfrentar os trabalhos domésticos, acharam muito bom receber a menina que podia ajudá-los em troco de casa e comida.
 
Lia a do meio, ficou com uma professora, proprietária de uma Escola, muito bondosa, que vivia sozinha e recebeu-a com muito carinho, como uma companheirinha.

Lea, a menorzinha, ainda bebê foi recebida por um casal sem filhos que a adotou como filha.
 
Leda ficou algum tempo com Kátia e Bertoldo.
 
Ficou encantada com a mudança na sua vida. Agora tinha casa, comida boa e farta e vestia-se muito bem com as roupas deixadas pelas sobrinhas de Kátia.
  
Só quem já passou fome, frio e desabrigo sabe valorizar esses confortos e Leda sentiu-se feliz, apesar de trabalhar muito. Ainda criança era praticamente uma dona de casa, fazia todo o serviço caseiro.
  
Mas, algum tempo depois, Kátia arranjou uma empregada e "passou" a menina para uma amiga.
  
Leda sofreu muito nessa casa. Era humilhada, repreendida freqüentemente e até espancada.
  
Resolveu, então, fugir.
  
Foi procurar pela mãe, mas não a encontrou mais e acabou ficando por algum tempo na rua em companhia de outras crianças abandonadas até que foi recolhida a um orfanato onde ficou até os dezoito anos.
  
Ali pode estudar e quando saiu, arranjou um emprego. Continuou estudando, foi melhorando de colocação até que conseguiu um cargo muito bom em uma empresa.
  
Agora era feliz, plenamente realizada. Tinha uma vida normal, amigas, passeios, viagens, namorado.
  
Mas tinha um sonho ainda por realizar. Queria encontrar as irmãs. Lembrava delas tão pequenas ainda! Como estariam agora? Que lhes teria acontecido?
 
Léa foi feliz no seu lar adotivo até quando a mãe engravidou e teve uma menina.
 
Como freqüentemente acontece, Léa teve ciúmes da irmãzinha e reagiu com impertinência, manha e malcriações.
 
Os pais não tinham paciência com ela. Não podiam sequer disfarçar a preferência pela filha de sangue. Embora não se permitissem admitir estavam arrependidos de tê-la adotado. Se soubessem que um dia teriam a sua própria filha nunca o teriam feito.
  
Léa nunca foi bem aceita pela família. Tanto os parentes de Suely, a mãe, como os de Nélson, o pai, sempre se referiam a ela como “a menina que eles estão criando".
 
Ninguém a considerava como neta, sobrinha ou prima. E isto logo começou a fazer com que se sentisse humilhada, preterida e desprezada.
  
A mãe de Suely dizia coisas como:
 
"Essa menina tem má índole!" "Sempre fui contra adoção!" "A gente nunca sabe quais as taras que podem ter!" "Eu bem que falei pra eles, os adverti, mas eles não me ouviram e olhem aí o resultado!"
 
Tudo isto era repetido cada vez que Léa fazia alguma travessura. Nunca se preocupavam se ela estava ouvindo e como podia estar sentindo aquilo.
  
Léa reagia com violência. Cada vez dava mais trabalho, à medida que crescia maior era sua rebeldia, deixando os pais quase loucos.
  
Estabeleceu-se um círculo vicioso. Quanto mais era repreendida mais insubordinada se tornava, maiores eram as reprimendas...
  
A única coisa que a alegrava era a escola.
  
Lá ela era outra. Gostava muito da professora, dos colegas, estudava e comportava-se muito bem.
  
Pelo menos isso!
  
Foi assim que terminou o curso entre os melhores alunos.
      
Lia cresceu ao lado da "Tia Diva" e foi muito feliz. Teve uma educação aprimorada, cursou boas escolas, viajou muito, conheceu o Mundo todo.

Quando a Tia aposentou-se, ela assumiu a direção da Escola. Era competente e simpática. Todos gostavam muito dela.
  
Também ela queria muito encontrar as irmãs, mas não sabia como fazer. Não tinha qualquer referência, não sabia nem mesmo se elas estavam na mesma cidade.
  
Mas Deus, que escreve certo pelas nossas linhas erradas, providenciou para que aquele fim de ano fosse muito feliz para as três irmãs.
  
As escolas da cidade se uniram e promoveram um concurso literário entre os alunos que terminavam o primeiro ciclo.
  
Havia vários prêmios e o primeiro deles era uma viagem ao nordeste brasileiro.
 
Lia foi designada para acompanhar a vencedora e qual não foi a sua surpresa ao ver o seu nome: Léa Ferreira.
 
Seria ela? A sua irmãzinha caçula? Que coincidência!
 
Ainda estava incerta, mas quando leu o conto escrito por ela, não teve dúvidas. Era a história de uma menina adotada e rejeita
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Maith

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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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