Colunistas

Publicado: Segunda-feira, 22 de outubro de 2007

As Surpresas da Vida

Era um fim de tarde como outro qualquer.
Sexta-feira, último dia útil da semana e Camila voltava para casa depois de um dia de trabalho, pensando no que faria nos dias seguintes, distraída, acompanhando automaticamente o fluxo intenso do trânsito, quando, de repente, aquilo aconteceu.
Uma bicicleta zigue-zagueou na sua frente, ela desviou para a esquerda, um carro a seu lado desviou a direita e acabou atropelando uma menina que tentava atravessar a rua.
Tudo aconteceu rapidamente. Mal refeita do susto, desceu do carro e só teve tempo de ver o motorista que atropelou a menina fugir desabaladamente enquanto o garoto da bicicleta, estático, olhava a cena com olhos esbugalhados.
A menina acidentada estava caída no chão. Parecia muito machucada.
Camila teve vontade de erguê-la, fazer alguma coisa, não sabia bem o que, mas alguém advertiu que era melhor não mexer, esperar os bombeiros que são capacitados para socorrer.
Os momentos seguintes foram angustiantes.
Chegou a polícia, fez-lhe perguntas, disseram que ela seria chamada para prestar depoimento, pois fora testemunha ocular do acidente.
Chegou a mãe da menina, nervosíssima, querendo, à força, erguê-la do chão e, finalmente, os bombeiros com a ambulância para levá-la ao hospital.
Camila não podia simplesmente voltar para casa como se nada demais tivesse acontecido. Sentia-se participante do acontecimento, pois, dadas as circunstâncias, poderia ter sido ela a atropelar.
Foi até o hospital e dirigiu-se a sala de espera onde a mãe da menina aguardava, sozinha e ansiosa por notícias da filha que estava sendo atendida.
Resolveu ficar ali e fazer-lhe companhia, dar-lhe um pouco de apoio e de solidariedade.
A menina estava fora de perigo, mas devia ficar aquela noite no hospital e Sandra pediu a Camila que ficasse com ela, pois estava muito nervosa, com muito medo.
Por que não? Ela não tinha nada importante para fazer esse fim de semana. Podia perfeitamente ficar com Sandra no hospital e ajudar no que fosse possível.
A menina dormiu sob efeito de sedativos e as duas, insones, passaram parte da noite conversando.
Sandra contou que era separada do marido. Que casara muito cedo e despreparada, só por causa da filha que esperava.
Na época, ele terminou um namoro de muitos anos para casar com ela, mas o casamento foi um erro que só lhe trouxe sofrimento. Ele nunca esqueceu a outra e cada vez que brigavam ele a acusava de tê-lo induzido a um casamento que ele não desejava.
Camila, também, tinha uma triste história de amor para contar. Estava noiva, a um mês do casamento, quando o noivo desapareceu.
Ninguém sabia dele. Abandonara o emprego sem maiores explicações e nem a família sabia de seu paradeiro, isto é, diziam que não sabiam, mas Camila não acreditava muito.
Aliás, se sabiam ou não, isto não mudava em nada a realidade. Ela fora abandonada, teve que passar pelo constrangimento de avisar os convidados que não haveria mais casamento, cancelar a festa, devolver os presentes, etc.
Tempos mais tarde, ficou sabendo que ele casara com uma mocinha muito nova. Ela era mais velha do que ele e esse era o motivo alegado pela mãe dele para ser contra o casamento..
Eu acho que os homens são todos iguais. Uns irresponsáveis! O Marcos não era uma exceção!
- Marcos!? exclama Camila. O meu noivo também se chamava Marcos. Só faltava ser o mesmo!
Marcos Ferreira da Silva.
Meu Deus!!! Era ele! Camila levou um choque, mas resolveu disfarçar.
O meu era Marcos dos Santos... mentiu.
A partir daquele momento, resolveu que ia encontrar-se novamente com o Marcos e reconquistá-lo.
Afinal nunca se esquecera dele e acreditava que tinha um dedo da sua mãe no que acontecera. Podia muito bem perdoar seu “pequeno” deslize. Quem sabe ainda seriam felizes? Afinal, estava claro que a outra fora uma aventura que não teve maior significado para ele, que ele ainda gostava dela quando se casaram. Que nunca a esqueceu. E já tinham se passado quase dez anos...
Tudo isto passou vertiginosamente pela sua mente e, imediatamente, começou a arquitetar um plano para reencontrá-lo.
Não havia dúvida de que o destino estava lhe dando uma mão. Não era, certamente, por acaso que tudo aquilo estava acontecendo.
Tratou, desde logo, de preparar o terreno. Seria através da Priscila, a filha, que ela poderia chegar até ele, pois a Sandra disse que ele não entrava na sua casa.
Nos dias de visita chamava a filha pelo interfone da portaria do prédio, levava-a para passear e a deixava de volta no elevador.
Tinha que conservar a amizade com a Sandra. Não podia perdê-la de vista, agora.
Com o maior cuidado para não trair suas verdadeiras intenções, ela, foi se tornando cada vez mais intima da outra e acabou, ao fim de algum tempo, se mudando para um apartamento no mesmo prédio onde ela morava com a filha.
Camila agradava muito a menina. Dava-lhe presentinhos, ajudava-a nas lições, conversava com ela e, assim como quem não quer nada perguntava-lhe do pai, procurava saber  quando ele viria visitá-la para espreitar pela janela, mas nunca conseguiu vê-lo.
Foi através dela que soube que ele estava solteiro, pelo menos não tinha ninguém morando com ele.
Chegou o dia do Papai e a professora pediu aos alunos que levassem um presentinho para oferecer ao pai durante a festa que a escola promoveria.
Sandra não tinha a menor vontade de gastar seu dinheiro com presentes para o ex, mas como a Priscila queria, acabou dando um trocado para ela comprar “qualquer coisa”.
É claro que foi pa
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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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