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Publicado: Segunda-feira, 7 de julho de 2008

As Mães

Defronte à Escolinha Infantil, as mães conversam:
- Meu filho é aquele loirinho. Ele é filho único e o primeiro neto. É muito mimado e está cada dia mais terrível! Ninguém pode com ele!
Fala rindo, achando graça, relatando com uma ponta de orgulho as malcriações do filho.
- O meu é aquele de óculos... mas... Cadê os óculos? Meu Deus! Acho que perdeu de novo. Não passo um mês sem comprar óculos para ele.
 - Ele é, na realidade, meu enteado. Quando me casei, ele tinha dois anos.
- Quase desisti do namoro quando soube que meu namorado tinha um filho. Quase joguei minha felicidade fora!
 
Felizmente o coração falou mais alto, nós nos casamos, temos mais dois filhos e ele é, para mim, igualzinho os outros. Dou aos três a mesma cota de cuidados, de carinhos e de broncas.
 
Minha filha é aquela moreninha de cabelos compridos.
Antes dela eu perdi três bebês recém nascidos.
 
Os médicos diziam que nós tínhamos uma possibilidade muito remota de ter um filho saudável, que era mais sensato desistirmos, mas nós preferimos apostar na “possibilidade remota” e o resultado esta ai, esta beleza de menina!
 
Eu já era casada há dez anos e ainda não tínhamos filhos, embora desejássemos muito. Resolvemos adotar. Não fizemos qualquer exigência. Entramos na fila e nos propusemos a receber, quando chegasse a nossa vez, aquele que nos estivesse destinado, homem ou mulher, preto ou branco, perfeito ou não. 
 
Aquelas duas moreninhas que estão sempre juntas são as gêmeas que adotamos.
Podíamos ter adotado só uma, mas como é que podíamos escolher uma delas?
- Eu, na realidade, sou a babá da Laurinha, aquela ruivinha de cabelos curtos.
 
A mãe dela é uma artista, viaja muito, está a maior parte do tempo fora e eu cuido dela desde que nasceu.
 
Eu gosto dela como se fosse minha filha e ela, também, é muito apegada comigo. Me chama até de Mãe Chica.
Uma senhora mais idosa do que as demais conta:
- Eu já tinha quase cinqüenta anos, meus filhos já estavam casados e já éramos avós quando Deus nos presenteou com uma filha.
 
Passada a surpresa e a leve apreensão do primeiro momento foi só alegria.
Meu marido e eu até remoçamos, parece que resgatamos todo o encantamento dos primeiros tempos de casados.
 
A Talita é a alegria de nossa casa. Eu não consigo imaginar a nossa vida, hoje, sem ela.
- Eu cresci em uma família desestruturada e fui uma jovem muito rebelde.
Quando perdi meu namorado de muitos anos, fiquei muito revoltada.
De que adiantou eu ter sido tão correta, tão fiel, tão boazinha, se ele me deixou para ir atrás de uma sirigaita?
 
A vida passou a não valer a pena para mim e só não me matei porque não tive coragem. Mas me entreguei a toda sorte de desatinos. Bebia, fumava e já começava a usar drogas quando engravidei.
 
Desde então minha vida mudou. Por causa de meu filho comecei a me cuidar, a trabalhar mais, a estudar para possibilitar uma posição melhor. Comecei a me amar e a compreender melhor o significado da vida.
 
Hoje sou outra pessoa e devo isso a ele. Se não o tivesse não sei como estaria hoje. Talvez nem estivesse mais neste Mundo.
 
E assim são elas, as Mães. Mulheres de todas as idades, raças, classes sociais, nível econômico ou cultural.
 
Cada uma tem sua história, mas, em todas elas, o personagem principal é sempre o mesmo: O seu filho.
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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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