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Publicado: Segunda-feira, 17 de outubro de 2011

As desventuras da Carijó (infantil)

Todas as manhãs a Sinhá dava milho para a galinhada:

Prrrrrr prrrr prrrr

Os penosos conheciam sua fala e acorriam gulosos ao seu desjejum

O galo índio, o galã do galinheiro, ficava todo derretido para as poedeiras apaixonadas e paquerava de longe as franguinhas virgens, curiosas e extasiadas com sua bela plumagem amarelada.

Mas, na hora da refeição não tinha nada de gentil. Com (infantil)ia todo o milho a sua volta e espantava com esporadas quem se atrevesse a vir comer no seu território.

O casalzinho de garnisés era o xodó da Sinhá. Ganhava porções exclusivas perto dela para que ninguém os perturbasse.

Carijó era uma galinha muito esperta e gulosa. (mais gulosa do que esperta) que teve uma ideia luminosa. Em vez de comer de grão em grão ela ia comer dois grãos de cada vez e assim é claro que comeria o dobro das outras.

Mas quando tentou por em prática seu plano viu que não era fácil pegar dois grãos com o bico. A cada tentativa de encostar um grão no outro para bicá-los de uma só vez eles escapavam e ela não conseguia comer nenhum.

Enquanto isso a galinhada acabou com o milho e a Carijó ficou a ver navios.

Resolveu entrar no paiol e tentar bicar o milho guardado no cesto pelas frestas da trama, mas não conseguiu alcançar e acabou ficando com o bico preso, gritando desesperada.

Sinhá veio socorrê-la, mas puxou-a com força para desenroscar o bico e quase que o quebrou,

A coitada foi andando triste, decepcionada com o seu fracasso, o papo vazio, a moela doendo de fome e ainda por cima o bico machucado.

Mas não há mal que sempre dure. Uma carroça com um carregamento de milho passou por ela e, extasiada ela viu que em um dos sacos tinha um pequeno furo e o milho ia caindo de grão em grão. A carijó foi acompanhando a carroça comendo os dourados grãos de um em um, conforme eles iam caindo no chão. Fartou-se e aprendeu a lição:

“De grão em grão a galinha enche o papo”

—Vó! Que história da hora! Eu aprendi com a galinha, não vou mais chupar duas balas de uma vez.  

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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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