Colunistas

Publicado: Domingo, 28 de janeiro de 2007

Aqui Ainda Se Pode...

Eu não sou ituano. Nasci na vizinha Porto Feliz. Ambas compartilham muitas tradições e têm seu lugar reservado na história do Brasil. Considero-me “ituense”, pois só fui à Porto Feliz para nascer e nunca morei em outras cidades. Tentativas não faltaram, mas sempre mantive meu coração e pensamento nesta terra. Em Itu tenho o meu verdadeiro tesouro: as amizades. Em Itu exerço o meu humilde papel de operário na vinha do Senhor, como profissional em contínuo serviço à Igreja que tanto amo. Em cada bairro e em cada rua estão várias das minhas lembranças da infância e da adolescência. Páginas alegres e tristes do meu passado, da minha biografia. Além de toda a esperança da minha vida futura.
 
Conheço muitas pessoas que deixaram a “Roma Brasileira”. Umas por causa de emprego e outras por causa de estudo em cidades por aí afora. Há também quem não veja muita opção de futuro por aqui e acaba indo batalhar a vida em outros cantos, atrás de melhores oportunidades. Entretanto, a maioria dos que deixam Itu acabam voltando sempre que podem para a cidade. Seja para passar um final de semana ou mesmo em um feriado prolongado. Também deixam por aqui várias lembranças e amizades que não desejam abandonar totalmente.
 
Não há como negar: Itu é uma cidade que podemos classificar de “provinciana”. No Dicionádio Houaiss a derivação do termo o classifica como algo de uso pejorativo. Provinciana seria uma coisa “atrasada, de mau gosto, superada, sem elegância e sofisticação”. Porém, não concordo com essa visão. Mesmo porque há inúmeras vantagens em não sucumbir ao relativo “progresso” prometido por certas modernidades. Desse ponto de vista, ser provinciano às vezes é até uma vantagem.
 
O grande avanço urbano e industrial de Itu deu-se entre as décadas de 1960 e 1970. Houve um crescimento em diversos segmentos, com o turismo e a chegada de novas fábricas e indústrias. Surgiram novos bairros e os primeiros condomínios fechados do país. A partir dos anos 80, a crise econômica nacional também se fez sentir em Itu. E como em grande parte do Brasil, as coisas ficaram meio estagnadas. Essa situação continuou nos anos 90 e hoje a esperança é de que a cidade possa continuar crescendo como já se verifica, principalmente em novos bairros como Cidade Nova e Potiguara.
 
Com 397 anos, Itu é a mais antiga da região. Fundada antes de Sorocaba, Campinas ou Indaiatuba. Entretanto, por motivos vários, hoje podemos verificar o progresso bem maior dessas cidades em relação a Itu. Sorocaba tornou-se um grande pólo industrial e universitário. Campinas é a segunda maior cidade do Estado. Indaiatuba, que há dez anos era conhecida somente pelo grande número de bicicletas em circulação, aproveitou-se da proximidade com Campinas para tornar-se uma cidade com muitas indústrias e comércio ativo, crescendo muito bem planejada e com largas avenidas.
 
Acontece que Itu ainda tem uma característica que nenhuma dessas cidades possui mais. E nisso é bom ser “provinciano”. Nosso povo se conhece e se respeita. Caminhando pelas ruas, na rotina diária, encontramos com nossos amigos e parentes, conhecidos e vizinhos. Aqui ainda é possível parar na rua pra conversar, participar de um bate-papo improvisado tomando um café ligeiro. Aqui ainda se pode tomar sorvete e namorar na praça. Aqui permanece viva a tradição religiosa do nosso povo, visivelmente constatada nas inúmeras procissões das quais sempre participam milhares de pessoas.
 
Em termos de desenvolvimento urbano e crescimento econômico, o progresso é muito bom. Mas como diz aquele comercial famoso, tem coisas que o dinheiro não compra e que são mais que importantes nas nossas vidas: são essenciais, são o espírito do que somos e do que vivemos, são a matéria prima das nossas memórias afetivas e da nossa confiança numa vida feliz. São as coisas que nos prendem a lugares como Itu, nossa querida cidade.
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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