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Publicado: Quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Anitta, Tati Quebra-Barraco e a Indústria Musical

Crédito: Internet Anitta, Tati Quebra-Barraco e a Indústria Musical
Anitta, antes e depois: funkeira preparada para agradar aos olhos dos consumidores.

Sei que gosto musical é um tema amplo e ao mesmo tempo muito particular. Isso não me impede de ter e emitir opinião, refletindo sobre certas modinhas de vez em quando. Será que as pessoas pensam sobre como a indústria musical as manipula? Será mesmo que o mercado da música é capaz de alienar a tal ponto?

Nos idos de 1990, a moda latina da lambada chegou ao Brasil. Não tínhamos (óbvio!) entre nós um representante desse ritmo tipicamente caribenho. A indústria fonográfica então ressuscitou o Sidney Magal, que de cigano fajuto virou lambadeiro.

Depois veio a moda da música sertaneja. E como Tião Carreiro & Pardinho ou Milionário & José Rico não se encaixavam nos padrões, a indústria fonográfica nos apresentou a outras duplas mais bonitinhas e românticas, como Leandro & Leonardo e João Paulo & Daniel.

Em seguida tivemos uma moda tipicamente nossa: a do axé music. E nisso vamos para vinte anos de Daniela Mercury (decadente, até "gay" virou pra chamar atenção da mídia, mas já desvirou), Ivete Sangalo (a Xuxa da axé, que jamais envelhece) e Claudia Leite (que é mesmo como o produto da vaca: sem nenhum adicional, é meio sem graça).

O forró também entrou nessa dança, na primeira década dos anos 2000. Como Luiz Gonzaga era coisa de gente velha, abriu-se espaço para o “forró universitário” de Falamansa. Na onda de conquistar a juventude, depois vieram também com o tal sertanejo universitário.

A moda da indústria fonográfica parece nos direcionar agora para o consumo quase obrigatório do funk, em seus vários estilos. Entre eles, o mais ridículo é o chamado “funk ostentação”. Cá pra mim, é coisa de gente sem ideais sérios para viver na vida, onde ter carrões e cordões de ouro é o máximo a que se pode chegar.

Digo que é um consumo “quase” obrigatório porque não se consegue passar um dia sequer sem estar frente a frente com algum representante do gênero. Da internet aos programas de televisão, sem falar nas rádios, o funk e sua turma pedem passagem sem pedir licença.

Alguém ainda se lembra da Tati Quebra Barraco? Por onde anda? Qual é seu sucesso atual? Ela também não é do funk de morro, aquele que surge do meio da “comunidade” (eufemismo para “favela)? Não me lembro da última vez que li algo a seu respeito ou que ouvi algum de seus sucessos na mídia em geral.

Poisé. Como Tati Quebra Barraco não se encaixava nos padrões, a indústria musical resolveu fabricar Anitta, a patricinha do funk. Os fãs não me levem a mal: a moça é linda e certamente tem talento. Mas tenho pra mim que é apenas mais um simples produto da moda, feito para o pessoal que não vai em baile funk mas se diverte em baladas nas casas noturnas chiques dos grandes centros. Basta ver uma foto no estilo "antes e depois" para perceber o tanto de "PRE-PA-RA" que proporcionaram à menina...

A indústria fonográfica, hoje e sempre, prefere ressaltar a beleza e a sensualidade de seus artistas. Poucas mulheres conseguem superar essa barreira, como Adriana Calcanhoto, Marisa Monte e Joelma do Calypso, por exemplo. Quem não tem talento para se destacar por si, fica de escanteio. Não quer dizer que eu tenha pôsteres da Maria Bethânia no meu quarto, mas, enfim...

Como diria o Poetinha, Vinícius de Moraes, na mulher a beleza é fundamental. Parece que, para a indústria da moda musical, esta é uma máxima suprema na hora de lançar novos talentos.

Amém.

 

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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