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Publicado: Sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Alongamento: polêmica ou falta de informação?

Crédito: www.google.com.br Alongamento: polêmica ou falta de informação?

São muitas as polêmicas quando o assunto está relacionado ao tema alongamento. A existência de teorias e informações que muitas vezes são equivocadas e duvidosas publicadas na mídia fazem as pessoas idolatrarem ou tornarem o mesmo o “vilão”, capaz de trazer malefícios. O alongamento pode ser realizado de forma estática ou dinâmica e também podendo ser utilizado como parte de um aquecimento.

A performance pode ser prejudicada ou reduzida quando realizado em um tempo prolongado, pois assim ocorrerá interferências diretas na capacidade física, como: força/resistência de força, potência e velocidade. Temos que entender primeiramente o que é alongamento e qual a sua função e saber distinguir do trabalho de flexibilidade.

O alongamento compreende pela realização de exercícios que estendem e tracionam um determinado grupo muscular aumentando sua capacidade de elasticidade, já no trabalho de flexibilidade, são utilizados exercícios de alongamento, porém, com uma maior magnitude ultrapassando os limites articulares podendo gerar lesões uma vez que o método não seja bem utilizado. Quem nunca viu atletas de alto rendimento fazendo a utilização dos conhecidos alongamentos sendo de forma estática (parado) ou dinâmica (movimento) e após competição subindo no pódio?

Vamos comentar mais um pouco o assunto e utilizar um estudo cientifico publicado por Little e Williams de 2006, no qual utilizaram o alongamento estático e o dinâmico, mas agora com uma carga e tempo compatíveis com o tal aquecimento, somou-se o total de 6 minutos de alongamento em vários grupamentos musculares em ambos os lados. Realizando testes de sprint (10 e 20 metros e teste de zigue-zague) os autores encontraram a redução nesses tempos, principalmente com o alongamento dinâmico, portanto a aplicação do alongamento teve um efeito positivo sobre a velocidade.

O alongamento dinâmico até pouco tempo condenado a ser um estímulo lesivo, hoje observa-se que mesmo utilizado em carga semelhante ao alongamento estático não interfere na força, como o estudo realizado por Bacurau e colaboradores em 2009. Mesmo com uma elevada carga utilizado nos músculos posteriores da coxa, os estímulos não tiveram efeito negativo sobre a força máxima e força de resistência. Após essa discussão vale à pena refletir se realmente esse tema é polêmico ou é a falta de informações que levam as pessoas a pensar e criar teorias contraditórias quanto a sua aplicabilidade prática.

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Pedro de P. L. Aguiar

Pedro de P. L. Aguiar

Graduado em Educação Física pelo Ceunsp; Pós-graduado em bioquímica, fisiologia, treinamento, nutrição desportiva pela Unicamp; e Pós-graduado em fisiologia do exercício com ênfase em envelhecimento, saúde e doenças na USP.

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