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Publicado: Segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Almas Gêmeas

Os anjos Kael e Spir foram designados para serem os protetores de duas almas gêmeas que chegavam ao Mundo.
 
Os dois anjos ficaram felicíssimos. Ser Anjo da Guarda era algo muito importante, um voto de confiança do Senhor!
 
E nasceram Vinícius e Eulália, almas gêmeas destinadas a ter suas vidas entrelaçadas pelo amor.
 
Eulália nasceu num lar abastado cercada de muito conforto e muito carinho.
Vinícius era mais um de uma irmandade numerosa. Os pais trabalhavam muito e não tinham tempo para paparicos.
 
Kael acompanhava os passos de Eulália, sempre a protegendo e dando-lhe boas inspirações.
 
Spir fazia o mesmo com Vinicius.
 
Às vezes Eulália dizia à mãe que um anjo entrara no seu quarto de noite e conversara com ela:
 
 - Que lindo! E o que foi que ele lhe disse?
 
 - Disse que se eu for muito boazinha um dia vou encontrar um príncipe encantado igual o da Cinderela.
 
Sonhos e fantasias misturavam-se com a realidade e ela não sabia bem o que realmente havia acontecido, o que tinha sonhado ou estava inventando, mas é claro que havia um dedo no Kael nessas histórias.
 
Vinícius, como a maioria dos garotos, era muito “traquinas” e aproveitava a ausência dos pais para fazer toda sorte de travessuras.
 
Spir ficava preocupado e comentava com o amigo Kael:
 
 - Ele não ouve os meus conselhos! Desobedece aos pais, vai para a rua, mete-se em tudo que é confusão!
 
 - Calma amigo! Você sabe que pode protegê-lo, dar-lhe boas inspirações, mas não pode interferir em seu livre arbítrio.
 
 - É verdade! Vou redobrar a vigilância e pedir a Deus que me ajude a cumprir minha tarefa!
 
A vida de Eulália sofreu uma reviravolta quando seus pais morreram em um acidente.
 
Ela e a irmã, Ismênia ficaram praticamente sós no Mundo.
 
Os irmãos do pai não gostavam de sua mãe e por extensão não simpatizavam com elas. Do lado da mãe só tinham parentes afastados que nem conheciam.
 
Com o impacto da tragédia, no entanto, todos se sensibilizaram e discutiram com quem as meninas ficariam. Mas ninguém tinha espaço, tempo nem vontade de acolher duas órfãs e acabaram resolvendo colocá-las em um colégio interno.
 
Eulália sofreu muito. Chorava todas as noites até adormecer e, então, Kael aparecia-lhe em sonho e confortava-a dizendo que seus pais estavam muito bem em um lugar muito bonito e que ela devia conformar-se, continuar sua vida, pois ainda ia ser muito feliz.
 
No dia seguinte ela não se lembrava do sonho, mas sentia-se mais forte e menos triste.
 
Vinícius teve notas baixas e o pai deu-lhe uma surra.
 
Foi dormir muito revoltado. Era a primeira vez que apanhava, embora já tivesse merecido muito. Será que não estudar era mais grave do que tudo que ele já tinha feito de errado?
 
Spir apareceu-lhe em sonho e fez-lhe uma longa e convincente preleção, mostrando-lhe a diferença da vida de quem estuda, tem uma profissão e da de quem permanece ignorante.
 
Foi feliz em seu intento, pois, a partir desse dia, Vinícius passou a ter gosto pelo estudo. Em pouco tempo tirou o atraso, conseguiu as melhores notas de sua classe e descobriu o prazer de aprender coisas. O resto de sua vida estudaria sem parar, adquirindo cada vez mais e mais cultura.
 
Seu comportamento melhorou muito, pois se dedicando aos estudos não tinha muito tempo para traquinagens.
 
E o pai na sua ingenuidade, concluiu:
 
 - Umas cintadas de vez em quando fazem bem!
 
Spir, humildemente, limitou-se a sorrir.
 
O dinheiro deixado pelos pais de Eulália e Ismênia, mal deu para pagar seus estudos.
 
Assim que se formaram, as duas começaram a trabalhar e, sempre muito unidas, dividiam um apartamento.
 
Os trágicos acontecimentos de sua infância foram ficando para trás e, com a alegria própria da juventude, começaram uma vida de muito trabalho e muito entusiasmo.
Kael acompanhava de perto a sua pupila. Não deixava que em nenhum momento ficasse desprotegida.
 
É claro que não podia desviar o curso de sua vida, anular-lhe os sofrimentos, mas sempre a reconfortava nos momentos difíceis e dava-lhe sábias inspirações quando devia escolher um caminho.
 
Algum tempo depois Ismênia conheceu Valdomiro. Os dois namoraram e chegaram ao casamento.
 
Queriam que Eulália fosse morar com eles, mas ela achou melhor ficar na sua casa.
As duas irmãs continuaram muito amigas e quando chegaram os filhos, Eulália foi a mais coruja das titias.
 
Novos sofrimentos, porém, as esperavam. Ismênia ficou muito doente.
Eulália foi para sua casa e ficou cuidando dela e dos sobrinhos até o desenlace.
 
Voltou então para seu apartamento e como as crianças eram muito apegadas a ela, Valdomiro deixou-as em sua companhia. Não havia dúvida de que ela era a única pessoa capaz de suprir em parte a falta da mãe.
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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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