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Publicado: Domingo, 25 de março de 2007

Aclamações e Condenações

Aclamações e Condenações
Entre tantos mistérios existentes no universo, o ser humano é um dos mais fascinantes. Como entender a nós mesmos e a nossos semelhantes? Como compreender as coisas boas e ruins que fazemos? Como avaliar a caminhada da humanidade e tantos fatos registrados na história? Somos várias caixinhas de surpresa, cada um traz dentro de si alguma delas. Agindo individual ou coletivamente, somos capazes dos maiores absurdos e também de situações de incrível genialidade.
 
Somos muito contraditórios. Como não ousarei fazer um tratado sobre o assunto, que é por demais longo e complexo, creio ser melhor concentrar-me em apenas um aspecto: a mania de exaltar ou de humilhar as pessoas à nossa volta. Dependendo da situação podemos ter a maior boa-vontade em elogiar alguém que admiramos. Ou então, com extrema má-vontade, fazer péssimos comentários de quem simplesmente não gostamos.
 
Classificar pessoas entre “queridas” ou “chatas” é o fim de um processo de julgamento particular que fazemos. Cada um tem sua razão, seu modo de pensar, seu jeito de se relacionar com o mundo e com os indivíduos. Baseado nisso e nas experiências da vida, julgamos de quem gostamos ou não. Entretanto, todo julgamento pode ser injusto se não for feito com imparcialidade.
 
Podemos ver um exemplo no futebol. Quando um time ganhar de 7 a 2, todos louvam os artilheiros da partida e ficam satisfeitos com o time vencedor. Porém, do outro lado, a torcida logo se apressa em culpar o técnico e o goleiro do time derrotado, como se perder não fizesse parte do jogo. Vencer e perder é conseqüência de quem está disputando algo e a torcida no mínimo teria que estar ciente disso, sendo menos injusta.
 
Na política também acontece algo semelhante. Infelizmente acostumados com os maus exemplos, freqüentemente caímos na generalização de dizer que nenhum político presta. Trata-se de injustiça. Podem até ser em menor número, mas existem sim aqueles que realmente exercem seus cargos e mandatos com espírito cívico e democrático, cientes da importância de suas ações para o bem-estar da população.
 
Outro fato que me impressiona são os comentários se alguém falece. Quando ainda está viva, só vemos na pessoa os seus defeitos e manias. Comentamos isso com as pessoas que nos cercam, fazemos críticas e piadinhas sobre o jeito de ser do Fulano ou do Ciclano. A partir do momento em que ele morre, parece que vira santo.
 
Talvez comovidos com o passamento, com lampejos de compaixão por ver mais um dos nossos partindo, esquecemos todos os comentários negativos e passamos a exaltar aquela figura que foi se encontrar com Deus. Destacamos suas qualidades, as boas ações que fez na vida, as obras e realizações que deixou como exemplo, passagens de sua existência que afirmam o seu bom caráter. Não que agir assim esteja errado, mas... Oras, não poderíamos ter agido e falado assim daquela pessoa, com ela ainda em vida?! Certamente seríamos menos injustos com ela, para se dizer o mínimo...
 
Pensando nas situações mencionadas acima, recordo sempre o que Jesus nos ensina: “Não julgueis e não sereis julgados! Com a mesma régua com que medires, serei medidos também!”. O único que tem direito de nos julgar é Deus, pois somos iguais em tudo e principalmente nos pecados que diariamente cometemos. Julgar o próximo, classificá-lo ou condená-lo é hipocrisia, burrice ou desonestidade.
 
Triste é perceber que certas coisas não mudam nunca. O próprio Jesus, que tanto ensinou sobre o amor ao próximo, o perdão e o não julgamento, foi julgado e condenado por nossa causa. Dessa condenação injusta resultou sua morte de cruz e depois a sua ressurreição e vitória definitiva sobre a morte. E pensar que, uma semana antes de seu suplício, o Jovem de Nazaré entrou triunfalmente em Jerusalém. Aclamado por todo o povo, com gritos de hosana e exclamações que louvavam aquele bendito que vinha em nome do Senhor. Homenageado entusiasticamente a ponto de que, se as pessoas se calassem, as pedras é que começariam a louvá-lo.
 
Sim, certas coisas nunca mudam. Melhor é aprender com Jesus e não julgar. Pensar dez vezes antes de classificar as pessoas e condená-las por algo que não aprovamos. Então, quem sabe um dia tudo mudará para melhor?
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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