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Publicado: Quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Abril, Fechou.

Crédito: Montagem/Internet Abril, Fechou.
O Grupo Abril precisa recuperar um jornalismo de verdade, de qualidade e alguma imparcialidade, sem viés ideológico.

Fundada pela família Civita em 1950, a conhecida Editora Abril é ainda considerada uma das maiores empresas de mídia do Brasil. Esta semana o Grupo Abril teve aceito o seu pedido de recuperação judicial, um expediente utilizado para quando uma empresa não consegue mais manter-se sozinha, e por isso, precisa de um tempo sem a obrigação de pagar suas dívidas buscando uma recuperação. Há todo um juridiquês para explicar a situação, mas o resumo é que o Grupo Abril vai mal, muito mal, das pernas.

As dívidas da empresa chegam a 1,6 bilhão de reais. Em um ano o faturamento diminuiu em 400 milhões de reais, o número de assinaturas de suas publicações recuou 60% e por causa disso já foram demitidos cerca de 800 funcionários. Sobram ainda 3 mil deles, sob risco de também serem cortados futuramente da folha de pagamento.

Duas coisas podem explicar o rombo no Grupo Abril. Em primeiro lugar, a empresa não se preparou devidamente para a revolução tecnológica. Os que conhecem o mercado editorial brasileiro sabem que o número de material jornalístico impresso vem diminuindo a cada ano. Hoje é muito mais fácil  acessar notícias em um smartphone, nem todos são obrigados a comprar um jornal ou revista. Por isso mesmo, pouca necessidade há em se pagar assinaturas. O leitor, cada vez mais, quer acesso gratuito à informação.

Outra coisa que explica tal fracasso do Grupo Abril diz respeito à opção editorial que fez em relação aos governos esquerdistas dos últimos anos. O carro chefe da Editora, a revista VEJA, tornou-se um reduto de comunistas utilizando o jornalismo para militância política. De fato, o semanário há tempos não produz um jornalismo isento. VEJA desrespeita conceitos básicos da comunicação para deixar a notícia enviesada a seu favor, não tem articulistas de opiniões plurais e além disso é uma das que mais produz fakenews em solo brasileiro.

O leitor, que nada tem de ignorante, percebe essas e outras coisas. Então, quem vai assinar algo assim? Quem vai patrocinar, via anúncios, uma publicação dessas? Apesar das dificuldades e crises do Brasil em termos econômicos, se o Grupo Abril ainda publicasse material de qualidade, jamais ficaria no prejuízo. Como é uma grande empresa, muito provavelmente ela se recuperará a médio prazo. Mas se não recuperar para si um jornalismo de verdade, de boa qualidade e alguma imparcialidade, sem distorcer a realidade das coisas por causa de opções ideológicas, a bancarrota virá de vez.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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