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Publicado: Terça-feira, 19 de junho de 2018

Aborto: O Roubo Infinito

Crédito: Internet Aborto: O Roubo Infinito
Criança abortada com 12 semanas: a diferença é que foi assassinada antes de nascer.

Há alguns dias parlamentares argentinos aprovaram a legalização do aborto até a 12ª semana de gravidez. Nas próximas semanas caberá ao Senado vetar ou não esse absurdo. Não há muita novidade nesse tipo de iniciativa. Em todo o mundo a política de vários países aderiu à pauta abortista. O fato recente chamou atenção por tratar-se da terra natal do Papa Francisco, que não teve papas na língua ao comentar o assunto:

“Ouvi dizer que está na moda, ou pelo menos é habitual, realizar exames durante os primeiros meses de gravidez para ver se a criança está bem ou nascerá com algum problema. E que a primeira opção é livrar-se dela nesse caso... No século passado todo o mundo escandalizou-se com o que os nazistas faziam para preservar a pureza da raça. Hoje fazemos o mesmo, só que com luvas de pelica” (“luvas brancas”, na tradução literal).

O Santo Padre foi bem claro. Para alguns, tudo bem assassinar crianças inocentes no ventre da mãe, desde que tal crime seja cometido de modo limpinho, bem escondidinho e bem matadinho, sem causar constrangimento a ninguém. Os que acham o Papa Francisco tão “fofo” e “legal” em diversas ocasiões, têm a obrigação de dar crédito e pensar no que ele afirma sobre esse delicado tema.

Com 12 semanas de gestação a criança começa a ter aparência humana. Com cerca de 6cm, pesa 15 gramas. Os olhos, antes nas laterais da cabeça, começam a ficar perto um do outro. As orelhas já ficam quase na posição normal. O fígado já produz bile e os rins processam a urina na bexiga. Caso alguém cutuque a barriga da mãe, a criança se mexe. Ou seja, já responde a estímulos. Não é possível verificar isso ainda do lado de fora, mas em exames sim.

Isso acontece porque a criança passa a adquirir mais reflexos. Com 12 semanas suas células nervosas multiplicam-se rapidamente e as conexões neurológicas no cérebro (sinapses) começam a se formar. Já nessa etapa, caso alguém encoste na palma da mão do bebê, seus dedos se fecham. Se algo encosta na sola do seu pé, seus dedos se curvam. Se alguma coisa toca em suas pálpebras, os músculos dos olhos se contraem.

Atenção senhores e senhoras ateístas, abortistas e anticlericais: todo o exposto acima são afirmações científicas comprovadas por qualquer agente de saúde especializado em reprodução humana. Não há nada de dogmas religiosos nisso, ok? Portanto, é necessária muita cara de pau para afirmar que todos esses sinais e movimentos da criança, ainda no ventre da mãe, não constituem elementos suficientes para dizer que se trata de um novo ser humano, vivo e muito bem vivo, apenas aguardando o direito de nascer.

O abortista padrão padece de três males básicos. Primeiro, o egoísmo: pensa em todos, menos no mais inocente, que é o nascituro. Segundo, a confusão mental: por causa de tontologias comunizantes anti-família, distorce qualquer aspecto da realidade para babar seus achismos e certezinhas. Terceiro, o desprezo da alma: vê o ser humano apenas com um pedaço de carne que pode ser convenientemente descartado, sem dar a mínima para as questões metafísicas e transcendentais que tornam a vida humana sagrada.

Nos EUA o aborto é permitido em alguns estados até o 9º mês de gestação, ou seja, poucos dias antes do nascimento. Nem queiram saber como isso é feito por lá. De nada valeu o alerta do ex-presidente Ronald Reagan: “Percebi que todas as pessoas favoráveis ao aborto já tiveram a sua chance de nascer”, dizia ele. Poisé. Ser abortista é negar aos mais fracos um pedaço de bolo depois que já comeu quase a travessa inteira.

Concordo com o saudoso Mario Quintana que, por mais libertário e excêntrico que fosse, tinha a sensibilidade a favor da vida que só os realmente gênios artísticos possuem: “O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato. É um roubo. Não pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo. O aborto é o roubo infinito”. Saudades do Quintana que, além de tudo, sabia usar a mesóclise.

Na mesma linha, outro grande artista da literatura afirmava que o aborto é até mais grave que um assassinato: “Matar não é tão grave como impedir que alguém nasça, tirando a sua única oportunidade de ser. O aborto é o mais horrendo e abjeto dos crimes. Nada mais terrível do que não ter nascido!”, dizia o grande Fernando Sabino.

Já dizia o Dr. Cezar Peluso (ex-ministro do Supremo Tribunal Federal) que a diferença entre aborto e homicídio é o momento da execução. Para um a morte vem depois de se ter nascido. Para outro, a morte vem antes mesmo de deixar o ventre da própria mãe. É por isso que a lógica, pura e simples, para os que defendem o aborto, seria dar um tiro na própria cabeça. Para negar a vida aos outros, deveriam em primeiro lugar abrir mão da própria, uma vez que a vida não se lhes parece assim tão importante...

Agora vamos a três casos práticos, reais e comprovados. Continuamos na linha da realidade pura e simples. Nada de dogmas religiosos aqui, por enquanto, tá bom raivozinhos de plantão?

Quem gosta de Jack Nicholson, um dos maiores atores do mundo? Eu gosto. Perdi a conta dos bons filmes dele que já assisti. Poisé, ele quase foi abortado sob o argumento da pobreza. Sua família era bem pobre e a mãe pensou em não levar a gravidez adiante. Ainda bem que não prosseguiu com a terrível idéia. Alguém imagina o mundo sem o protagonista de “Um Estranho no Ninho”? Alguém imagina um Batman dos anos 1990 sem o Coringa de Nicholson? Ah, o mundo teria bem menos graça!

Quem gosta do italiano Andrea Bocelli? Tenor premiadíssimo que nos faz chorar com suas lindas interpretações, ele quase foi abortado. Nos exames pré-natais, os médicos informaram sua mãe de que ele nasceria com alguma doença congênita. A sugestão foi o aborto, que a mãe rejeitou de pronto. De fato, o menino nasceu com um glaucoma que o deixou parcialmente cego. Mas nasceu também com um dom maravilhoso que a todos encanta. Bocelli não precisa dos olhos para cantar e encantar. E só encanta porque a ele foi dada a opção de nascer e viver a vida.

Quem admira Albert Einstein, o grande físico alemão autor da Teoria da Relatividade que revolucionou a ciência moderna? Poisé. Se estivesse para nascer hoje, poderia ser abortado. Quando Einstein faleceu, preservaram seu cérebro para estudos e descobriram que ele tinha uma má formação no lóbulo esquerdo. Ninguém conseguirá afirmar se essa anomalia era uma das causas do seu intelecto superior. Mas o fato é que, se Einstein passasse pelos modernos exames de hoje, alguns médicos poderiam sugerir um aborto à mãe, uma vez que o cérebro apresentava um padrão anormal. Sorte de Einstein ter nascido há quase 150 anos!

Costuma-se dizer que a vida é um milagre. E é mesmo! A potencialidade de cada ser humano jamais poderá ser aferida ou adivinhada. A vida precisa acontecer. E quando se interrompe uma vida, por menor que seja, está se tomando o partido da morte. Eis o maior mal dos dias atuais: pessoas egoístas e desumanas, criando leis com poder sobre a vida ou a morte de outras pessoas, mais fracas, sem voz e indefesas.

Aos chatinhos de plantão, ressalto que não utilizei argumentos bíblicos e tampouco dogmas católicos neste artigo. Vali-me de afirmações de outras pessoas e de dados concretos, ou seja, reais e comprovados na realidade. Então, não me venham com chorumelas. Ser pró-aborto é ser anti-humanidade e ponto final. E quem não concordar, agradeça a Deus. Só discorda quem está vivo. Crianças assassinadas no ventre da mãe também não tem esse sagrado direito à discordância.

Para não frustrar de todo as expectativas dos perseguidores da Fé, rendo-me a uma afirmação de cunho espiritual e religioso. Afirmava o líder hindu Mahatma Gandhi, tão admirado pelos inteligentinhos da moda: “Parece-me tão claro como o dia que o aborto é um crime”.

Não há desculpa para o aborto.

Só há desculpas (falácias) para quem deseja covardemente justificá-lo.

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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