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Publicado: Segunda-feira, 13 de maio de 2019

Abolição da escravidão. Mas houve abolição?

Crédito: livre na internet Abolição da escravidão. Mas houve abolição?
A maldade à solta...

 

"De manhã cedo, num lugar todo enfeitado

Nóis ficava amontuado, prá esperá os compradô

Despois passava pela frente do palanque

Afincado ao pé do tanque, que chamava bebedô"

(Inezita Barroso, Leilão)

- Toda vez que ouço ou toco esta música chego às lágrimas.

Quanta maldade!

Onde estava nossa religiosidade?

Onde está agora?

 

Hipócritas!

Isso que posso dizer sobre as tais comemorações da “abolição da escravatura”.

Houve um papel assinado, por interesse da Corte Britânica e da Oligarquia Brasileira, proibindo a compra e venda de Seres Humanos Negros em território brasileiro, nada além disso. Agora, dizer que nossos irmãos negros foram libertos é uma enorme falta de bom senso.

Mas quanta e santa hipocrisia!

Liberdade é igualdade de oportunidades, é igualdade de acesso a toda e qualquer forma de conhecimento e desenvolvimento cultural e tecnológico, de trabalho, de emprego, de transporte, de lazer.

Qual a oportunidade que é dada ao Negro Brasileiro, ou em qualquer parte do mundo? Vejam a África do Sul, mesmo com governadores negros, na mão de quem está o poder? Qual a oportunidade que tem aqueles meninos esquecidos nas periferias das cidades sul africanas? Qual a oportunidade que tem os habitantes de todo o Continente Africano?

Voltando ao Brasil, pergunto sempre, quantos vereadores negros você conhece? Quantos juízes negros você conhece? Quanto professores universitários negros você conhece? Quantos padres negros você conhece? Quantos médicos, quantos gerentes de banco, diretores de multinacionais, comandantes, pilotos, dentistas, ou mesmo acadêmicos, você conhece?

Se há igualdade de oportunidades no Brasil, porque não temos uma paridade em relação a isso em um Brasil composto por 52% de negros?

E se olharmos a mulher negra, qual o respeito e preocupação que existe em relação a ela?

Das agressões que acontecerão hoje contra a mulher, em território brasileiro, que passarão de mil (isso mesmo, mil, em um só dia!), sem computar as centenas de milhares de agressões verbais, 75%, aproximadamente, serão contra mulheres negras.

Então, senhoras e senhores, por favor, não me venham falar de “libertação de escravos”.

A escravidão continua, e continua de forma acentuada. Nas casas, nas fábricas, nas lojas, nas ruas, nos condomínios, nas escolas, nos hospitais, e por aí vai.

A escravidão continua!

Somente com uma consciência clara sobre o assunto, com muitos debate, palestras, textos como este, esclarecimento às crianças, aos filhos e aos jovens, ela terá fim.

Com muita EDUCAÇÃO!

Estou acompanhando a reforma das praças de Itu. Estou curioso para ver se haverá, enfim, na Praça da Matriz, uma estátua, ou algo assim, em homenagem aos negros que lá foram espancados, há, somente, pouco mais de um século. Muitos até à morte.

Faremos feriado para reconhecer nossos erros agora?  Que tal se fizéssemos um “mea culpa” e pedíssemos perdão?

Será que, enfim, reconheceremos os feitos dos Negros em Itu?

Será que os verdadeiros construtores dos casarões serão reconhecidos, e nomeados?

Será que os azulejos que mostravam os Negros construindo os casarões ituanos, e sumiram misteriosamente..., voltarão às paredes do Museu Republicano?

Estou no aguardo.

 

Consciência, negra consciência!

Consciência!

Negra!

Consciência sobre um passado

Negro!

Um passado negro de negras ações

Negras atitudes de um branco com alma negra

Um negro passado!

Consciência!

O negro passado a limpo

O príncipe, negro

Com um passado limpo

Limpando a alma, lavando o espírito

Um príncipe, vários príncipes!

Guerreiros, heróis, crianças e velhos

Homens e mulheres, príncipes e heróis

Fantoches de um branco sem consciência

Consciência!

Consciência sobre a maldade

Consciência sobre o passado

- O passado, passado a limpo!

Feriado!

O passado em praça pública

Para assistir à maldade inconsciente

De um branco onisciente, de um branco insano

Agredindo ao negro

Em praça pública!

Agredindo ao negro de alma branca

Que lhe traz a consciência de sua alma negra

Negra nas intenções

Negra nas ações

Negra nas maldições

Maldições que hoje voltam

Vão e vem, em um vai-e-vem sem fim

Até que haja a consciência, plena!

E a aceitação...

Consciência!

Lavando a alma, trazendo a calma

A esta alma negra

Lavando um passado e construindo um futuro

Consciência!

Em uma só palavra, a ciência, conosco

Conosco o conhecimento, sobre nós mesmos

Sobre o que fomos e o que somos

Consciência, paz, amor

Com ciência!

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Comunicação

Sidarta da Silva Martins

Sidarta da Silva Martins

Educador precoce lecionava, gratuitamente, Português, Matemática e História aos colegas do Regente Feijó, em Itu. Professor universitário e pesquisador, afirma nas palestras que faz: "A Educação deve formar o cidadão global, e o homem bondoso universal!"

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