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Publicado: Quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A Violência é Democrática

Crédito: Internet A Violência é Democrática
No Brasil a violência é endêmica e intolerável: atinge a todos, sem olhar a quem.

Todos preocupam-se com a violência, principalmente no Brasil. Nosso país é o mais assassino do mundo e tal afirmação não é mera força de expressão para impressionar os leitores. Por aqui acontecem anualmente cerca de 60 mil assassinatos por armas de fogo. E isso com o tal Estatuto do Desarmamento em vigor.

Aliás, trata-se de uma “pegadinha do malandro”: o citado estatuto desarma apenas os cidadãos de bem, tirando-lhes o direito à legítima defesa previsto na Constituição (e até mesmo no Catecismo da Igreja Católica). Enquanto isso os bandidos de verdade, aqueles que vivem e lucram com a violência, passeiam à vontade com armas na cintura e nas mãos, inclusive tirando sarro da polícia.

Este é o Brasil, país de 208 milhões de técnicos de futebol e “especialistas” em tudo, que se comprazem em debater futilidades enquanto não se tomam providências efetivas para os casos sérios que realmente afetam a nossa população!

Em solo nacional temos cerca de 50 mil casos de estupro por ano. No mesmo período há o assassinato de 350 homossexuais e afins (vários desses mortos por questões passionais e pelos próprios parceiros). Ao mesmo tempo, são cerca de 600 policiais militares mortos anualmente.

Podemos colocar na conta também os casos de sequestro, furto, roubo e outras formas de violência que são mais invisíveis: a violência doméstica, o abuso infantil, o bullying, o assédio moral, o terrorismo psicológico, etc. O Brasil é um país violento porque o ser humano tornou-se mais violento. Não é um problema apenas nosso, pois em outros países do mundo também há muita violência.

Acontece que a violência no Brasil é democrática, atingindo pessoas de todas as cores, condições sociais, idade, escolaridade, etc. Algum tipo de violência atinge os mais humildes nas favelas, assim como apavora também a madame que mora no condomínio. A criança indefesa sofre violência, bem como o idoso que já não consegue mais defender-se.

Chega a ser comovente como alguns sociólogos e “especialistas” movimentam-se através de “pesquisas” com o objetivo de distorcer a realidade sobre a violência. São os “fake news” da sociologia, rebolando em números para satisfazer a ideologia da qual são escravos intelectuais.

No Brasil há uma forte tendência em classificar a violência como fruto da pobreza, como se toda pessoa de origem humilde tivesse naturalmente que transformar-se em bandido. Por outro lado, também há os que pensam que gente rica não possa cometer crimes, sejam os de colarinho branco ou de violência doméstica. Tudo isso é senso comum e não se comprova.

Há também, por parte de “pesquisadores” claramente influenciados por técnicas marxistas-gramscistas, a malévola intenção de direcionar a violência como se esta atingisse somente jovens, negros, mulheres e homossexuais. Isso não é verdade e o objetivo é inflamar a tal “luta de classes” tão pregada pelo comunismo. Em vez de trabalhar a questão da violência em amplo espectro, cai-se na vitimização de alguns e no bate-boca generalizado. É triste dizer, mas na verdade a violência atinge a todos democraticamente, sem olhar a quem.

São muitos os que tentam (e conseguem) manipular a opinião pública para fomentar a violência. Há um claro movimento de criminalização e desconstrução moral das polícias. É como um cego rejeitar a bengala. Parte da indústria midiática nacional dedica-se com empenho em inverter a lógica das coisas, transformando os policiais em bandidos e endeusando bandidos como se fossem heróis. Dá no que dá: muitos jovens preferem enxergar-se como chefões do tráfico em vez de capitães das forças de segurança.

Existe também o movimento em favor do “desencarceramento”. O argumento é este: já que a cadeia pública não consegue corrigir o bandido, prendê-lo por quê? E essas cadeias superlotadas? Para resolver o problema basta soltar todo mundo! Eba!!! (sic!). Tudo muito bem ensaiado e ocultado sob o mantra da defesa dos “direitos humanos”. Dignidade e humanidade nos presídios é uma coisa. Usar direitos básicos como pretexto para privilégios, é outra história.

No Brasil o pobre é obrigado a ajoelhar-se diante da bandidagem, enquanto o rico pode contratar segurança particular e escolta armada. Ai do coitado que agir em legítima defesa diante de um assalto ou coisa parecida. Caso cometa o deslize de matar o bandido, será processado e até preso. Significa que, por aqui, ninguém tem o direito de defender-se a si mesmo, aos familiares ou a quem quer que seja.

Em nosso país, portanto, não é o caso de ficarmos discutindo o sexo dos anjos, classificando a violência que atinge o negro e o branco, o índio e o mestiço, a mulher e o homem (vamos criar o “hominicídio”?), o homossexual e o transexual, o jovem e o idoso, o palmeirense e o corinthiano, numa espiral sem fim que nada resolve. A violência no Brasil é endêmica, intolerável para os padrões mundiais.

O problema é na raiz, não nos galhos. Famílias mais bem constituídas, formadas por homens e mulheres decentes, cientes de suas responsabilidades para com seus filhos, ajudariam a reduzir em muito a violência. Qualquer estudo minimamente sério constata facilmente que de famílias bem estruturadas raramente surgem criminosos inveterados. Há exceções. Releiam o termo “raramente” da frase anterior.

A violência só será menor quando enfim dermos o merecido destaque a essa questão dentro da Educação proporcionada às nossas crianças e jovens. Mas o que dizer de um Estado no qual a violência é incentivada por falsos professores que, em vez de educarem de verdade, utilizam-se do magistério para fazer doutrinação esquerdista e ensinar às novas gerações que invadir e depredar prédios públicos é válido enquanto forma de “protesto”?

Que Deus nos ajude!

Amém.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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