Colunistas

Publicado: Quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A razão a serviço da emoção

A razão a serviço da emoção
Na vida, apesar da genética, muito se conquista...

É impressionante como a vida parece fácil, leve e solta para algumas pessoas e tão pesada e amarga para outras. Essa observação sempre me despertou interesse e por essa razão tenho investigado o tema já há bastante tempo. Para a Psicologia, a explicação se dá pela formação da personalidade. Daniel Goleman em seu livro “Inteligência Emocional” define a personalidade humana em 4 tipos e atribui a esses perfis a forma de encarar a vida.  Tímido, ousado, otimista e melancólico são as definições para classificar as pessoas e explicar o jeito de ser. 

 

Ocorre, porém, que nem a Psicologia nem a Genética conseguem explicar com precisão até onde o jeito de ser da pessoa é definido pelo meio ambiente ou pelo padrão biológico. E nessa hora se abre a possibilidade de transformação constante. Aliás, essa é a essência da tese de Goleman: é possível estimular a inteligência emocional ao longo da vida para melhorar o jeito de ser. Por isso, o ambiente familiar é fundamental: pais emocionalmente equilibrados ajudam mais seus filhos porque são capazes, ainda que intuitivamente, de oferecer estímulos de anulação aos aspectos negativos da personalidade, revelados ainda na primeira infância.

 

Goleman pede atenção ao que denomina alfabetização emocional, sugerindo às famílias e às escolas um programa de ensinamento das emoções.  Confesso que, considerando um país onde nem a Matemática nem as Letras conquistaram devida atenção e empenho das escolas, não acredito que o programa de Goleman possa fazer parte da grade curricular do ensino brasileiro.  Mas isso não impede que o tema seja aprofundado. Ao contrário, o domínio das emoções é fundamental na conquista do sucesso e da felicidade; por isso merece espaço, atenção e reflexão.  Um bom exemplo dessa importância está nos desempenhos dos esportistas quando vivenciam as finais de campeonatos. Não são poucos os momentos em que o descontrole emocional dos esportistas impede a vitória. 

 

Mas, como aprender e ensinar inteligência emocional? Qual o melhor caminho para lidar com sentimentos que nos parecem incontroláveis? Será que Goleman tem um manual de respostas?

 

Há sim muitos caminhos de respostas na tese de Goleman; e para quem tem tempo e interesse, a obra contribui substancialmente para a educação emocional dos filhos e conseqüentemente dos próprios pais. Em todo o meu percurso profissional, sempre defendi a aquisição e a utilização do conhecimento científico como formas significativas de crescimento integral: o intelectual aprimorando o emocional. O controle emocional e a sensibilidade são indicadores de muita inteligência. Por outro lado, há também um aprendizado de muito valor e que pode nos ensinar, caso haja nesse processo vontade e busca: é a experiência de vida, que independe da quantidade de livros lidos ou das faculdades cursadas.   

 

Desenvolver a inteligência emocional não é destino da espécie.  É na verdade um processo de busca pessoal, autoconhecimento e desejo de melhorar sempre.  Ao contrário do que muitas pessoas pensam, as emoções são controláveis sim, e fazer bom uso delas é um aprendizado constante - em alguns aspectos, de toda uma vida. Para isso é necessário combater frequentemente a famigerada ideia: esse é meu jeito; sou assim mesmo!

 

Comentários

Conversas Entrelinhas

Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

Arquivo

14 de março de 2016

A corrida aos cinquenta

1 de outubro de 2015

Um filho gay: dores e amores

8 de dezembro de 2014

Refazendo as verdades

6 de março de 2014

A dor da perda

14 de fevereiro de 2014

A Pata do Elefante