Colunistas

Publicado: Segunda-feira, 2 de julho de 2007

A prima Clotilde

Quando os pais de Clotilde morreram, ela, não tendo parentes mais próximos, veio morar na Fazenda São Geraldo.
Com mais de trinta anos era, na época, considerada solteirona, pois, as moças se casavam muito cedo.
Queria muito casar-se, ainda mais agora que estava só no Mundo, morando de favor com parentes afastados que mal conhecia.
Na Casa Grande, ela foi muito bem recebida. Todos a tratavam muito bem e empenhavam-se em fazer com que se sentisse bem ali.
Dentro de algum tempo, Clotilde fez algumas amizades na cidadezinha próxima e começou a ir para lá nos fins de semana passear com as amigas.
E foi então que conheceu o Durvalino, um rapaz muito bonito, mas muito pobre.
Ele era garimpeiro e dizia a Florinda que um dia encontraria uma pedra grande e ficaria muito rico.
O Coronel não aprovava o namoro, mas não se achava no direito de proibir. Apenas aconselhava:
- Ele não vai poder lhe dar a vida que está acostumada. Você vai sofrer.
- Eu gosto dele, Não tenho medo da pobreza. Um dia ele vai encontrar a pedra grande...
- Isso é ilusão. As pedras realmente valiosas são raríssimas. A maior parte dos garimpeiros vivem e morrem na miséria,
Mas Clotilde não ouvia seus conselhos. Gostava do Durvalino e achava até romântico começar a vida do nada e depois... Um dia... Ficar muito rica...
Num domingo o Durvalino convidou-a para conhecer sua família que morava em um acampamento de garimpeiros.
Era um lugar horrível e Clotilde ficou profundamente decepcionada.
A mãe dele, desiludida, falou com amargura do sonho da pedra grande que embalou toda a vida do marido e agora estava acabando com a juventude do filho.
Todas as pessoas que conheceu vizinhas e amigas que vieram ver a namorada do Durvalino eram muito parecidas. Todas eram, empregadas domésticas ou lavavam roupa pra fora para ajudar nas despesas enquanto os maridos passavam os dias procurando a hipotética pedra grande.
Clotilde não podia imaginar-se nessa situação. Como pode pensar que seria romântico compartilhar de sua pobreza?
Não! Não era essa a vida que ela queria.
 
A partir daí foi se afastando, dando desculpas para não encontrá-lo e o namoro acabou.
O Durvalino demorou para aceitar o rompimento. Procurou muito por uma reconciliação. Mandou bilhetes, recados o que tornava as coisas mais difíceis para ela que também estava apaixonada por ele. Mas tinha que ser firme. Pertenciam a mundos diferentes. Nunca seriam felizes juntos.
Passou algum tempo e, um dia, a notícia correu de boca em boca e não demorou para chegar até ela. Durvalino encontrara uma pedra enorme. Estava rico!
Clotilde exultou:
Agora sim! Tudo ia dar certo. Não teve dúvida. Escreveu-lhe uma longa carta dizendo que nunca o esquecera, que ainda o amava, etc.
Sua resposta foi lacônica:
Infelizmente já era tarde. Estava namorando outra moça e era com ela que ia casar-se.
Comentários

Os contos da Maith

Maith

Maith

Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

Arquivo

30 de abril de 2012

Um rosto barbado

23 de abril de 2012

O ovo da Páscoa

16 de abril de 2012

Pode me chamar de Judas

9 de abril de 2012

Do diário de uma adolescente

2 de abril de 2012

Flores da minha vida