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Publicado: Sexta-feira, 8 de março de 2019

A poderosa e incrível máquina de arrecadar imposto

“Só há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos” (Samuel Johnson)

Está aberta a temporada de caça e o leão faminto afia garras e dentes para devorar suas economias. Ninguém escapa da mordida do Leão, que come todos os dias e nos meses de março e abril abocanha mais um naco do seu suado patrimônio.

Em 2018 os brasileiros pagaram 2 trilhões 388 bilhões de impostos, segundo o Impostômetro. Na proporção do PIB a arrecadação de impostos corresponde a incríveis 35% e cresce a cada ano. Já são necessários 153 dias, ou seja, mais de 5 meses de trabalho para atender à voracidade do Fisco, melhor dito Confisco.

Não satisfeito com tamanha dinheirama, o governo gasta tudo e um tanto mais: o déficit primário das contas publicas em 2018 atingiu 120 bilhões de reais, coberto que foi com emissão de dívida a ser paga pelo contribuinte no futuro. É o 5º ano seguido de déficit, isso sem contar com o pagamento dos juros da dívida pública. E a dívida atingiu a soma recorde de 3 trilhões 877 bilhões tendo dobrado de tamanho nos últimos 10 anos. Só no ano passado o crescimento foi de 318 bilhões. Você poderia até pensar que somando os impostos com o crescimento da dívida os serviços públicos ao cidadão iriam melhorar. A má noticia é que só tem piorado.

Se o dinheiro dos impostos não cobre as despesas do governo e os serviços públicos só pioram, afinal, para onde está indo toda esta fortuna colossal? A resposta aponta para uma redistribuição perversa de renda, na qual o povo transfere suas economias para o funcionalismo público, através dos altos salários e generosas aposentadorias. Os poderosos burocratas venceram a luta de classes e se apropriaram do butim, sendo os únicos que tem dinheiro para investir em saúde, educação e segurança privados para suas famílias. E viagens ao exterior também. .E o contribuinte, que pagou para ter acesso a tudo isso, foi privado de entrar na festa.

Para garantir a arrecadação brutal de impostos, foi criada uma super organização chamada Receita Federal, dentro do Ministério da Fazenda, o qual abriga 101.419 funcionários com salário médio de 36 mil reais, conforme Portal da Transparência. Os auditores e analistas lotados na Receita Federal possuem um alto nível de educação formal e são treinados continuamente para assegurar cada centavo de arrecadação de impostos. O concurso público para a carreira na Receita é um dos mais difíceis e concorridos, mas vale a pena, pois o salário inicial é de 21 mil reais. Esta organização poderosa é uma ilha de excelência em meio à porcaria que caracteriza os demais setores do governo, especialmente aqueles que prestam serviços ao cidadão, como a saúde, educação, segurança e transportes.

Assim como as ditaduras organizam suas forças armadas para manter o poder, a burocracia estatal armou uma poderosa máquina para manter o cidadão refém do Estado, com uma dupla estratégia : arrancar dinheiro do cidadão e ao mesmo tempo restringir, pela baixa qualidade, o acesso aos serviços que poderiam lhe trazer prosperidade. Uma combinação ardilosa e com êxito comprovado, já que a renda per capita do brasileiro comum tem caído, ao mesmo tempo em que o enriquecimento da casta da burocracia progride a olhos vistos. Nem o mais cruel governo socialista conseguiria impor tamanha redistribuição reversa de renda dos pobres para os ricos. São gastos 13,5% do PIB com servidores públicos federais, estaduais e municipais, enquanto outros países gastam cerca de 9%.

Quando você se sentar diante do programa da Receita Federal para declarar o seu imposto de renda, lembre-se do destino do seu imposto. As lágrimas estão liberadas e são grátis.

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O Lado Humano

Orlando Mazzuli

Orlando Mazzuli

Consultor empresarial em Gestão de Pessoas. Ex-Executivo internacional de Finanças e RH. Coach Executivo. Conselheiro da ABRH - Associação Brasileira de RH e membro do G3RH. Articulista sobre Economia, Gestão de Pessoas, Comportamento e outros temas.

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