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Publicado: Quinta-feira, 7 de março de 2019

A pedante execução dos hinos em eventos esportivos

A pedante execução dos hinos em eventos esportivos
Fonte: Correio da Manhã.

Já que o assunto está em alta, vamos falar: o Hino Nacional.

A execução do Hino Nacional é obrigatória em todo evento esportivo. É o que estabelece a Lei 13.413/2016. Em alguns lugares ainda mais bairristas, especialmente no Sul do nosso país, até mesmo o hino do estado em questão é executado antes.

Deste momento, quando ele não é extremamente entediante, surgem alguns acontecimentos inusitados, históricos e até mesmo desrespeitosos que fazem o protocolo valer a pena.

Por exemplo, durante a Copa do Mundo de 2014, houve uma tradição bonita que começou com a torcida da Seleção de Vôlei (me corrijam se eu estiver errado), que consistia em determinando momento, após o hino parar de ser executado no estádio, a torcida continuar cantando sua parte final. Era bonito e emocionante, apesar de aparentemente não ter motivado tanto assim nossos jogadores naquela ocasião.

Mas falando em Copas do Mundo, eu gosto de me lembrar da execução do hino da Coreia do Norte, na copa de 2010, no jogo contra o Brasil. O astro da seleção, Jong Tae-se (conhecido como Rooney do Povo) simplesmente desabou em lágrimas ao ouvir o hino. O choro foi um retrato bonito e uma ótima propaganda de um dos regimes políticos mais fechados do mundo. Além de tudo, o gesto do jogador foi muito favorável ao governo Kim, pois o jogador é filho de imigrantes e decidiu-se naturalizar-se Norte Coreano por questões ideológicas. Coincidentemente, ou obviamente não, o jogador não é convocado mais pela seleção depois de ter ido jogar na liga da Coreia do Sul, apesar de ainda manter seu bom nível.

E seguindo pela linha de regimes fechados, recentemente na China, o jogador brasileiro Diego Tardelli foi punido com um jogo de suspensão após a execução do hino. O motivo? Estava com a cabeça abaixada neste momento.

Outra tradição bem lembrada no Brasil, em especial nos estádios do interior paulista, é a do hino ser reproduzido em instrumentos do sertanejo raiz, como a viola. Há quem goste e não deixa de ser um tanto bonito.

No Allianz Parque, estádio do Palmeiras, existe uma tradição (que só pegou nessa torcida) que consiste em, ao invés de cantar a letra oficial, a torcida adaptá-la em repetir incessantemente até o final, seguindo o ritmo, o nome do time: “Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeiras; Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeiras.” Talvez essa tradição tenha começado na maior torcida organizada do clube, tendo em vista que o grito mais conhecido e aparentemente cantado durante pelo menos 80% do tempo de duração de um jogo do clube, também consiste numa repetição incessante de “Palmeiras (fiu fiu fiu)”.

Fora do futebol, no Futebol Americano, tivemos uma das atitudes mais bonitas e históricas da história do esporte. Em forma de protesto ao governo de Donald Trump e à segregação racial no país, jogadores estavam permanecendo ajoelhados durante o hino. O jogador Colin Kaepernick, declarou sobre a atitude: "Não vou me levantar para mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime as pessoas negras e de cor". E, esse ato numa classificação de protesto pode considerar-se um dos mais bens sucedidos. A NFL com seu público e investidores majoritariamente conservadores, perdeu em valores 500 milhões de dólares, além de ter a menor audiência da década no SuperBowl. Por fim, depois de despertar a ira do mimado presidente americano, o ato de ajoelhar-se durante o hino foi proibido na NFL, acarretando multa a quem o fizesse com a sugestão de que “os que não interessados em homenagear o hino poderem permanecer no vestiário”.

Enfim, servindo apenas como mais uma demonstração de nacionalismo e patriotismo de protocolo, o hino é só mais uma formalidade besta do esporte. Mas, seu ato ainda é capaz de promover situações interessantes e quando não é feita a bobeira de tocá-lo inteiro, pode ser algo válido. Enquanto ainda não tivermos que cantá-los fardados em posição de continência. E de preferência arbitrariamente.

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Marcelo Sandy

Marcelo Sandy

Marcelo Sandy é um jovem ituano, palmeirense, aspirante a cronista. Escreve textos reflexivos que levam os leitores a pensar sobre diversos temas. Seu foco principal são as crises existenciais do ser humano.

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