Colunistas

Publicado: Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Pata do Elefante

A Pata do Elefante
Quem nunca sentiu o peso do elefante esmagando o seu peito?

Gosto de histórias infantis. Quase sempre as uso para tratar um tema complexo nas minhas aulas de gestão educacional.  Gestão de Conflitos, Trabalho Cooperativo, Gestão de Pessoas, são temas que facilmente chamam uma boa história infantil para ilustrar e sistematizar aqueles sérios demais.   

Na minha opinião, história infantil é um dos gêneros mais difíceis da literatura. Eu tenho medo de escrevê-las...  Primeiro, porque não se diz qualquer coisa para crianças pequenas. Quanto menor a criança, maior a responsabilidade. E, segundo, porque literatura infantil tem que ter sutileza, arte e emoção.

Às vezes quando sinto a alma pequena e um vazio horroroso dentro de mim, convido uma criança para ouvir histórias: separo os livros da época em que meus filhos eram pequenos e dos quais não me desfaço, sobretudo pela qualidade literária, e passo horas a contar, embaixo da maior árvore aqui de casa, algumas obras de intenso valor.

Recentemente, enterrada nas emoções de um tempo que me pegou de surpresa, para dizer que a vida é incontrolável e, por mais inteligência e esforço que se invistam numa direção, ela – a vida – pode dobrar a esquina e mudar o percurso e esmagar o sonho da gente, recebi de presente um livro infantil que não me sai da cabeça...

“A Pata do Elefante”, de Luciene Tognetta, é a história de um rato que, com dor no peito, procura os médicos da floresta para encontrar a cura. Depois de percorrer os mais diversos especialistas, como Dr. Urso, Dr. Leão e Dr. Canguru, descobre, desanimado, que sua dor é uma ilusão, chamada pelos médicos de piada.

Como a dor não passava, o rato então procurou a coruja, doutora das emoções e curandeira oficial do horto florestal, que disse ao rato: “Rato, meu caro rato, você sofre de um mal gigante: Síndrome da Pata de Elefante!”  

Pata de Elefante é quando uma tristeza gigante, uma angústia, preocupação ou até medos de montão invadem o peito da gente.  Quem nunca sentiu a pata de elefante?  Quem nunca sentiu o peso do elefante esmagando o seu peito?

Na história da Luciene, os amigos do rato dizem a ele que para essa síndrome não há remédio que cure, e o único jeito de melhorar é unir os amigos, para o peso da pata do elefante compartilhar.

A lição aprendida dessa delicada obra é que naqueles momentos em que tudo dá errado, em que você tem um monte de problemas juntos provocando-lhe um nó na garganta e fazendo o peito doer, sempre aparece um amigo para ajudar a segurar a pata do elefante.

Assim também foi comigo... A pata já saiu do meu peito! 

Comentários

Conversas Entrelinhas

Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

Arquivo

14 de março de 2016

A corrida aos cinquenta

1 de outubro de 2015

Um filho gay: dores e amores

8 de dezembro de 2014

Refazendo as verdades

6 de março de 2014

A dor da perda

14 de fevereiro de 2014

A Pata do Elefante