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Publicado: Quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A Parceria Acertada

Crédito: Photos&Focos A Parceria Acertada

Não selecionamos a família que nos compõe, apenas acontecemos. Somos colocados no mundo por escolhas, deslizes, promessas, equívocos, opções, de outras pessoas e aqui estamos na difícil e por vezes sensacional arte de viver a vida, tentando, lutando, esperneando, batendo cabeças.

 

Às vezes temos a sorte de estarmos numa boa família, estável, dedicada, que cumpre com os cuidados e obrigações, outras vezes nem tanto, e aí a vida começa já sendo bem mais difícil do que desejaríamos.

 

Os ciclos vitais dão muitas e muitas voltas e vamos nos encontrando em momentos diferentes, com experiências diversas, com dores e amores sentidos, com a pele marcada e o coração por vezes encolhido no canto de uma existência sofrida. 

 

E nesse caminhar ondulado, nessa jornada pelo desconhecido das relações, vamos provando sabores diversos, amando, causando, desafiando, caindo inúmeras vezes e nos levantando, seguindo em frente, de lado, voltando, enfim, o caminho não é único e o certo e errado são circunstanciais pela singular existência de cada um.

 

Alguns tem pais presentes e parceiros, outros tem um significativo irmão, uma tia, um primo, um amigo ou dois, pessoas de referência marcantes, e outras tantas configurações possíveis. A vida é o caos das relações necessárias. Animais gregários padecem e se enaltecem com a basilar existência coletiva. No seio social nascemos e nele buscamos todos os sentidos de uma realidade que transcende a carne, que flutua no imaginário e nos sonhos de todos nós.

 

Desejamos, amamos, matamos e enterramos tudo em nós. E os encontros possíveis vão nos imortalizando na história de vida dos semelhantes, nas lembranças de um tempo que foi e ficou. Nessa imensidão de corpos vagando soltos vamos esbarrando em alguns outros corpos e construindo juntos uma existência de sentidos em dois olhares, permitindo que a vida seja invadida pelo pulsar de outro coração e como numa louca simbiose partilhamos sonhos e dividimos a responsabilidade de viver.

 

Apenas acontecemos e nos mantemos pelas trocas que fazemos no caminho. Testemunhamos as realidades mesmas de cada um e inserimos nos corações alheios uma gota de alma, transbordando em amor a tudo aquilo que no outro somos. Uniões, encontros alegres, vida que segue mais recheada de sentidos. Realidades replicadas numa metamorfose de sonhos. No outro somos tudo aquilo que rechaçamos em nós. Um espelho existencial. Almas partilhadas em parcerias acertadas levando a vida numa enxurrada de novas sensações.  

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Ana Paula Cavalheiro

Ana Paula Cavalheiro

Formada em Ciências Sociais pela USP-SP e em Psicologia pela Unimep. Cursando Especialização em Psicopedagogia.

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