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Publicado: Sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A neblina do caminho

Logo que obtive minha habilitação para dirigir, começaram os desafios pessoais. Primeiro, passar pela cancela do shopping sem ter que descer do carro para pegar o cartão do estacionamento. Depois, fazer balisa no centro da cidade em pleno sábado de movimento. Outros ainda: dirigir até Salto, depois para Sorocaba, em seguida para Campinas e por aí vai.

Depois de quase um ano dirigindo é que fui adquirir o brio necessário para ir até a capital paulista. Parece bobagem, mas foi uma grande aventura. Ainda mais se levarmos em conta que, nessas incursões automobilísticas, estive sempre dirigindo sozinho.

Escolhi o fim de uma tarde de sábado para ir até São Paulo. Fiz as checagens básicas, abasteci e peguei estrada. Foi tudo muito tranquilo e ao chegar em Sampa não encontrei nenhuma paulicéia desvairada. Para uma noite de sábado, até que a cidade estava bem tranquila. Bem diferente do que vemos na televisão durante os dias úteis, com acidentes e engarrafamentos.

Depois de rodar um pouco, fui até um shopping para jantar. Depois do cinema, chegou a hora de vir embora. Já estava na metade do caminho de volta, quando na região de Araçariguama surgiu do nada uma densa neblina. Meu Deus! Não conseguia enxergar mais nada! O vidro do parabrisa começou a ficar embaçado e, para meu azar, descobri que o esguicho d’água não estava funcionando.

Tive que reduzir a velocidade e acho mesmo que cheguei a 40 km/h. Simplesmente não enxergava mais do que 5 metros de distância. Foi grande o medo de encontrar com algum animal na pista ou outro veículo. Grande também era o temor de não ser visto por uma carreta ou ônibus. Sabe-se lá o que pode acontecer no trânsito, ainda mais em condições como aquelas.

A neblina durou uns 15 km, mas sumiu. Saí ileso, mas prometi a mim mesmo nunca mais passar por aquilo. Desde então, quando visitei São Paulo novamente sempre fiquei na capital para dormir e voltar na manhã seguinte.

Neblina grande enfrentei também seis meses depois, retornando de uma viagem a Paraty (RJ). Era mais de meia-noite e eu descendo a Rodovia dos Tamoios com uma cortina branca à minha frente. Foi tanta a neblina que não resisti e parei em um posto da guarda rodoviária para jogar uma água no parabrisa. Novamente saí ileso, graças a Deus.

E a vida? Não é uma grande região de neblina para todos nós? Afinal, quem é que consegue enxergar o futuro? Na cortina do tempo que se desenrola à nossa frente, quem pode vislumbrar as graças e as desgraças que o futuro irá nos apresentar?

O medo do desconhecido não pode é nos paralisar, tampouco tirar a nossa alegria de viver. Há quem se deixe dominar pelas incertezas quanto ao futuro, fazendo da vida um eterno esperar para ver. A ansiedade chega a ser tamanha que se deixa de viver o presente para se angustiar com o futuro...

Qual então é a solução? Creio que cada um tem sua fórmula e age de acordo com seu pensamento. Para mim, não há nada melhor do que respirar profundamente e entregar-se sinceramente às mãos de Deus. Pois não é o Criador quem enxerga todas as coisas, visíveis e invisíveis? Não é ele que sabe de tudo, inclusive o que é bom e o que é ruim para cada um de nós?

Confiar, segurar firme nas mãos do Pai e seguir em frente. Eis uma solução eficaz, pois não podemos parar o fluxo natural da vida.  É isso ou ficar preocupado somente com a neblina, deixando de viver a vida para apenas se preocupar com ela. E entre as duas atitudes, há uma diferença enorme.

Amém!

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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