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Publicado: Segunda-feira, 28 de abril de 2008

A Madrinha da Noiva

Berenice e Rafael iam se casar e pretendiam dar uma grande festa.
 
Como sempre acontece, esperava-se para a festa, gente de todo jeito.
 
Todos os familiares (dela e dele) bem como os amigos (dela e dele) e até alguns empregados mais conceituados foram convidados.
 
As famílias, como todas, tinham o seu núcleo rico, o pobre, o remediado, o moderno, o conservador, o chic, o cafona, etc.
 
Os amigos, também, provinham de várias camadas sociais.
 
Mas, para a linda cerimônia na igreja e a requintada recepção, todos, sem exceção, estavam investindo o que tinham e o que não tinham para não fazer feio na festa.
Margot seria uma das madrinhas e, vaidosa ao extremo, estava preocupadíssima com o que iria vestir no grande dia.
 
Depois de uma via sacra por todas as lojas da cidade, acabou optando por um modelo sofisticadíssimo comprado por uma pequena fortuna em uma butique de luxo. A vendedora garantiu que aquele era um modelo exclusivo, desenhado por um costureiro da moda, e ela ficou muito feliz com a sua aquisição.
 
Em casa comentou com a Maria, sua velha empregada, serviçal, simples e fiel que a acompanhava por muitos anos e que era também convidada para a festa.
 
- Pois é, Maria, resolvi meu problema. Comprei um vestido lindo, na butique, para ir ao casamento. Custou uma nota, mas valeu a pena! Acho que ninguém vai mais bem vestida do que eu. Afinal a Madrinha fica no altar, em evidência, é tão observada quanto à noiva. Tem que estar muito bonita, não acha?
 
- É claro! Que bom, dona Margot! Eu também já comprei o meu vestido. Tive sorte!
Estava sem dinheiro e sem saber como ia fazer para ir ao casamento e dai, uma amiga lá da igreja me falou de um bazar beneficente, a senhora sabe, que tinha um montão de coisas por um real e tinha um vestido lindo que custava mais caro, mas, quando eu disse que tinha só cinco reais, me venderam pelo preço do montão, um real!
 
- Nossa! Que pechincha! Mas, será que esse vestido está em ordem para você ir à festa?
 
- Está lindo! Me disseram que ele foi de uma madame muito rica que usou só uma vez e deu pro bazar.
 
- Que bom! Você teve sorte! Resolveu seu problema bem mais fácil do que eu.
Chegou o grande dia.
 
Margot estava no altar toda emperiquitada com o seu modelo exclusivo
Crente de que estava abafando, que ia eclipsar até a própria noiva. Nunca se sentira tão bonita, tão chique.
 
Mas, pouco antes da noiva entrar, eis que..... ela não acreditava nos próprios olhos!
Quem vinha lá, andando calmamente pelo meio da igreja?
 
Nada mais, nada menos do que a Maria. Maquiagem mal feita, cabelo alisado a força começando a rebelarem-se, sapatos velhos, meio tortos e um vestido lindíssimo! Exatamente igual ao seu “modelo exclusivo”!
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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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