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Publicado: Segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A lista de presentes

 

Quando vi pela primeira vez uma lista de presentes de casamento em uma loja fiquei escandalizada.

Que coisa feia! De mau gosto!

Depois acostumei, pois a praticidade da vida moderna acabou com os tabus.

Não sei se no meio mais requintado isso acontece, mas, no nosso meio é muito comum os noivos fazerem a lista e tem mais, se ganham presentes que não agradam, os recém casados vão à loja e trocam por outra coisa.

Quem será que teve essa brilhante e deselegante ideia?

Não sei e, como dizem que o que não se sabe, inventa-se lá vai minha versão.

Julia e Rosa casaram seus filhos Cid e Tais em grande estilo.

Convidaram a cidade toda e ofereceram uma grande festa.

Os noivos ganharam muitos presentes, é claro, mas só levaram para sua casa o que tinha utilidade imediata. O resto,  deixaram  para as mães guardarem.

Que jeito?

Qual a casa de pessoas normais que tem espaço sobrando para acomodar 8 aparelhos de jantar, 6 faqueiros completos, 18 liquidificadores, etc. etc. etc.?

Havia presentes inusitados como um vaso de cristal de 1 metro de altura, belíssimo, valiosíssimo, inutilíssimo, dificílimo de guardar.

E o aparelho de jantar de 120 peças, presente da dona Durvalina!

Coitada! Deve ter pago um dinheirão por ele ou feito um carnê a perder de vista, tudo para oferecer um bonito presente que se transformou em um problema porque a caixa era enorme, não cabia em nenhum armário.

Julia e Rosa fizeram faxina em toda a casa, doaram, jogaram fora, arrumaram para desocupar espaço, mas assim mesmo sobravam coisas que não tinham onde pôr.

O quarto que Tais dividia com a irmã Celina ficou simplesmente abarrotado, caixas nos armários, nas gavetas, no chão embaixo da cama em cima da estante...

Celina comentou tristonha:

- E eu que pensei que ia ficar folgada com o quarto só para mim!

Mas, tudo passa, vá-se acomodando, acostumando com a confusão.

Passaram-se alguns anos e para surpresa de todos, Alceu, o outro filho de Júlia apaixonou-se pela Celina e resolveram casar-se

As mães se desesperaram.

Onde poderiam guardar os presentes que certamente iam sobrar desse segundo casamento na família?

-Acho que vamos precisar alugar um deposito!

- Que absurdo!

E foi então que Rosa teve a idéia da lista.

A princípio Julia não concordou, achou muito feio, mas acabou admitindo que seria uma solução boa para todos.

Para os convidados que podiam escolher desde geladeiras TVs e máquinas de lavar até potinhos de pirex,  para os noivos que teriam tudo do seu gosto, combinando estilos e cores e, por que não, para as mães que não ficariam com tanta coisa para guardar..

Para justificar, as duas disseram para algumas amigas que agora, na Capital, estavam usando fazer a Lista, que parece que a moda foi lançada em Paris (rsrs)

E, a partir daí todos os noivos aderiram à nova moda, naquela cidade, e em breve foi-se espalhando o costume que agora a gente nem acha mais de tão mau gosto. 

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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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