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Publicado: Quinta-feira, 11 de julho de 2013

A Igreja e os Jovens: Mea Culpa?

Crédito: Internet A Igreja e os Jovens: Mea Culpa?
É preciso regar a juventude, nem que seja a conta-gotas.

No campo da formação da personalidade, dizem os psicólogos que um ponto importante é jamais esquecer suas origens. Pessoas que negam de onde vieram geralmente carregam algum tipo de trauma ou insatisfação que pode afetá-los no que diz respeito aos relacionamentos e aos modos de encarar a vida.

Revisito sempre minhas origens, através das lembranças. Neste exercício, vejo quantas maravilhas Deus fez na minha vida. Eram tantas as possibilidades, mas o Senhor me resgatou, me deixou conhecer seu projeto, me brindou com sua paciência suprema e me deu forças para carregar no coração o ideal do Evangelho.

Em minhas lembranças, sei que hoje sou fruto das comunidades de jovens. Se não fossem as amizades, os primeiros aprendizados e a acolhida nas comunidades jovens, certamente eu seria outra pessoa hoje. Talvez nem católico seria, como saber?

Na década de 1990 a cidade de Itu estava repleta de comunidades jovens. Naquelas mesma época, havia também uma disseminação de bandas (grupos ou ministérios) de música, evangelizando a juventude através da alegria e da mensagem do Evangelho cantada.

Conheço e sou parte de toda uma geração de jovens que, não tendo necessariamente nascido em berço católico, em famílias praticantes da religião, hoje constituem suas próprias famílias e vivem o cotidiano e seus conflitos de acordo com o que aprenderam com Jesus Cristo. Hoje somos adultos, cristãos católicos praticantes e conscientes, em vários níveis.

Em vinte anos, muita coisa mudou. As comunidades jovens de hoje não têm mais o mesmo número de pessoas envolvidas e nem a mesma força de antes. Há anos a Igreja Católica não promove na cidade um grande evento (eu digo GRANDE MESMO), daqueles de encher estádio, ginásio ou praça pública, que realmente mobilize os jovens católicos e incentive os ainda não praticantes ao conhecimento do Evangelho.

É claro que nas paróquias ituanas há grupos de jovens em atividade. Mas são bem menores que as de antes. Também possuem mais limitações no campo de atuação. São comunidades que, felizmente, contam com jovens dedicados e conscientes da grande missão que carregam. Mas o ideal seria que crescessem, pois há milhares de jovens na cidade que desconhecem a proposta de Jesus Cristo para suas vidas.

Penso que a Igreja Católica, de modo geral e contando com as exceções de sempre, não deu a devida atenção aos jovens nas últimas duas décadas. Se a juventude é a primavera da Igreja, como gostava de dizer o saudoso Papa João Paulo II, talvez nossas lideranças tenham deixado de regar o jardim nesse período...

Se hoje temos muitos jovens vazios, é porque poucos adultos estão transbordando. É preciso começar a encher esses jovens cálices com a doutrina, a sabedoria, os sacramentos, os conselhos, as promessas, o amor e a presença de Jesus em suas vidas. Nem que seja à base do conta-gotas, é preciso regar essas flores da juventude.

Amém.

- Acompanhe o Programa Amém todas as terças-feiras, das 20h às 22h, na Rádio Nova Itu 105,9 FM ou em www.novaitufm.com.br

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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