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Publicado: Sexta-feira, 11 de julho de 2008

A Gravidade de Tudo

Jogue uma caneta no chão ou atire um papel pela janela. Você está presenciando a gravidade. Trata-se de uma força de atração mútua que os corpos materiais exercem uns sobre os outros. Sem ela, talvez a vida na Terra fosse impossível. E caso o fosse, nos veríamos em um mundo totalmente surreal, com tudo ao nosso redor flutuando.
 
Depois que uma maça atingiu sua cabeça, o físico inglês Isaac Newton teve sua curiosidade despertada sobre o assunto. Por muitos anos ele estudou o fenômeno e o resultado foi sua Lei da Gravitação Universal. Devido a essa e muitas outras pesquisas, Newton é considerado um dos pais da Física moderna.
 
Podemos dizer, em breves linhas, que é a atração gravitacional da Terra que confere peso aos objetos e faz com que eles caiam no chão quando soltos no ar. A gravidade age em todo o planeta e também sobre o Sol e demais corpos celestiais. Sem a força gravitacional a matéria dispersa no Universo não teria se juntado para formar estrelas e planetas como o nosso.
 
Outro aspecto bem útil da gravidade é manter “cada macaco no seu galho”. Graças a ela, a Terra e demais planetas permanecem dentro de suas órbitas em torno do Sol, sem o risco de invadirem seus espaços. A gravidade também faz a Lua permanecer como satélite na órbita terrestre e influencia também a formação das marés e vários outros fenômenos naturais.
 
Enfim, podemos dizer que é a gravidade quem confere o peso das coisas como as conhecemos. Sem a força gravitacional tudo flutuaria, como vemos nas imagens dos astronautas em órbita. A vida ficaria muito mais leve, porém muitíssimo mais confusa e descontrolada.
 
Com a força gravitacional, aprendemos que o peso é algo necessário para todo o Universo. E como fazemos parte dele, isso também nos atinge. Não apenas em termos gerais, como seres humanos e habitantes de um planeta em constante movimento. Mas também como pessoas, seres individuais e diferentes entre si.
 
Na vida, todos temos muitos pesos a carregar. Não apenas no sentido literal, quando vamos ao supermercado ou exercemos algum trabalho braçal. O peso que enfrentamos é também mora, psicológico, espiritual. Trata-se de algo inevitável e que independe de nacionalidades, credos ou ideologias.
 
Muitas vezes ficamos cansados de tantos pesos que a vida nos infringe. São as preocupações cotidianas e não bastasse lidar com as de hoje (agora) também temos a (in)capacidade de ficar adivinhando as que poderão surgir futuramente. Entram nesse “balaio preocupativo” assuntos relativos à saúde e finanças, relacionamentos familiares e amorosos, além das questões profissionais.
 
Jesus sabia muito bem o que estava dizendo, quando chamou para si todos aqueles que estavam cansados de carregar seus respectivos pesos (cargas, fardos). Filho de carpinteiro e ajudante do pai adotivo, em seu ofício certamente tinha que lidar com grandes pedaços de madeira e móveis em geral. Já caminhando ao encontro da morte, no trajeto rumo ao Calvário enfrentou o peso da cruz e três vezes caiu.
 
Se ele caiu, imagine nós... Diante dos nossos fardos, não é raro que fraquejemos. Não somos de aço e às vezes os pesos chegam todos de uma vez. O que se discute então, não é quantas vezes cairemos, mas sim quantas iremos nos levantar. Esse soerguimento é possível, mas o problema é quanto nos sentimos tão cansados e abatidos que mal temos força para suportar o mínimo peso.
 
É então que Jesus se apresenta e nos diz: “Eu lhes darei descanso!”. Só quem está acostumado com os pesos da vida pode imaginar quão reconfortantes podem ser tais palavras. Na pessoa amorosa e humilde do Nazareno, encontramos o amor, a amizade, o companheirismo, a ajuda que necessitamos para suportar o próximo fardo. É com este auxílio que podemos contar, a fim de descansar e recompor as nossas forças.
 
Para algumas pessoas, seguir os preceitos que o Mestre ensinou pode parecer um peso a mais em uma vida já repleta de obrigações. Mas trata-se exatamente do contrário, pois os mandamentos de Jesus nos fazem ver quais são os pesos que realmente compensam ser carregados.
 
A força que vem de Cristo é maior que qualquer força gravitacional, porém isso não faz que o peso por nós carregado diminua ou desapareça. O desafio não fica menor apenas porque contamos com a ajuda divina. Mas então vemos o que realmente importa: não é o tamanho do peso, mas sim a disposição que temos para carregá-lo.
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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