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Publicado: Segunda-feira, 11 de março de 2013

A escola dos sonhos

A escola dos sonhos
Parece um sonho? Sim, parece. Porém, como diz a canção: "um sonho sonhado sozinho é um sonho; um sonho sonhado junto é realidade".

Feche os olhos e imagine uma escola...  Pronto; abra os olhos e esqueça tudo! Essa escola não existe no desejo e no coração de um grupo de profissionais, que ousadamente se reuniu em torno de um sonho: fazer uma escola capaz da descolarização.  Estranho?  Então, vamos até o fim destas palavras.   

Sabemos todos, e com a devida ajuda das pesquisas acadêmicas, que as escolas brasileiras, da forma como estão organizadas, não correspondem às mudanças do contexto atual, conhecido como a “sociedade indefinida”, na qual é impossível estabelecer modelos de comportamento. Diferente de outros tempos, já não podemos definir, por exemplo, as carreiras profissionais de sucesso ou a melhor estrutura familiar a se organizar.  

Nada mais está no lugar.  Ou melhor, nada mais está no NOSSO lugar. Aumentam as possibilidades e também as dúvidas.  Mais do que a capacidade de adaptação, precisamos desenvolver a capacidade de investigação, diálogo, cooperação, criação, participação e aprendizado constante. Fácil? Não... sobretudo para a geração adulta, acostumada com respostas prontas e certezas fáceis.

Talvez por isso, esse grupo de profissionais tenha se motivado a quebrar paradigmas: inclusive os próprios. O desejo é oportunizar novas estratégias para a capacidade humana, criando um espaço aberto às muitas formas de expressão da inteligência. Desejo, aliás, que define claramente o que chamamos de descolarização.

Descolarizar é combater o que acontece hoje, onde a escola “a pretexto de preparar a criança para a vida, impede-a de viver a sua infância, confinando-a por quatro a cinco horas diárias em uma sala de aula, sentada passivamente enquanto o tempo passa e ela fica privada do que mais deseja e necessita para viver, que é brincar e gastar prazerosamente suas energias vitais que são o apanágio de sua condição de criança”, como afirma Vitor Paro em sua crítica à estrutura da escola. 

É verdadeiramente triste, ainda nas palavras de Paro, “ter a consciência de que, todos os dias, dezenas de milhões de crianças, em todo o território nacional, se sentam para “se preparar para a vida”, deixando a vida passar e perdendo a oportunidade real de extravasar toda sua energia, empregando-a para viver de modo pleno sua alegria, criatividade e inteligência.” 

Por isso, também, o projeto em construção prevê a existência de um espaço educativo “intermulticultural” e flexível, que dê conta da heterogeneidade e que possa criar e recriar propostas pedagógicas inovadoras, investigando e reconhecendo diferentes expressões de aprendizagem .

Parece um sonho? Sim, parece. Porém, como diz a canção: “um sonho sonhado sozinho é um sonho; um sonho sonhado junto é realidade”.

Aliás, realidade perfeita para aqueles, que como eu, desejam esquecer tudo que vem à mente quando fechamos os olhos para encontrar a imagem de uma escola.

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Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

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