Colunistas

Publicado: Segunda-feira, 14 de março de 2016

A corrida aos cinquenta

A corrida aos cinquenta
A corrida devolveu a energia da motivação que a idade me roubou.

Sabemos, por recomendação de especialistas, que devemos equilibrar a rotina com algo que nos desperte prazer e bem-estar.  Confesso que, por um bom tempo, me impedi dessa possibilidade, preenchendo a vida com prioridades que aprendi a valorizar com a sociedade. Primeiro, os estudos; depois, a carreira; o casamento; os filhos; a construção da casa; entre tantos e outros projetos que preenchem o dia a dia da vida da gente.  

No entanto, os projetos findam, os filhos crescem, a casa fica pronta e a vida ganha um espaço que pode ser vazio e perigoso. Quando se percebe, sobram horas no dia, a semana demora a passar e a motivação vai perdendo energia.   

Não sei se você já passou por isso, mas perder a motivação é uma possibilidade para os que adentram a casa dos cinquenta anos de vida.  Sabe aquela sensação de que não seremos mais, porque já somos?  Ainda que nem tudo tenha sido como sonhamos, já temos o diploma na parede; já somos o profissional da carreira planejada e o pai ou a mãe dos filhos desejados...  É a percepção de que o futuro chegou e, com ele, um sentimento paradoxal de que sobra tempo no pouco tempo de vida que nos resta.    

Assim, como diz Martha Medeiros, “sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso, tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao ponto”. Por isso, fui correr.

A corrida me levou direto ao ponto, devolvendo a energia da motivação que a idade roubou. Na corrida, revisito a emoção da meta alcançada e a alegria dos limites superados.

A corrida me ensinou a conversar com o meu corpo, a compreender seus sinais e, principalmente, a respeitá-los. Aprendi que preciso controlar os passos, no ritmo certo, para chegar ao final.  Que a respiração é minha principal aliada e que a ansiedade pode me derrotar.

São muitos os benefícios que a corrida proporciona, como a melhora do humor e da qualidade do sono, o fortalecimento do coração e da capacidade de funcionamento dos pulmões. Mas, para os que estão nos cinquenta anos, como eu, a corrida pode ser um excelente recurso emocional de recuperação da autoestima e da autoconfiança.

Vem correr comigo! 

Comentários

Conversas Entrelinhas

Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

Arquivo

14 de março de 2016

A corrida aos cinquenta

1 de outubro de 2015

Um filho gay: dores e amores

8 de dezembro de 2014

Refazendo as verdades

6 de março de 2014

A dor da perda

14 de fevereiro de 2014

A Pata do Elefante