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Publicado: Segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A casa das almas penadas

Leônidas e Magda, professores recém formados e recém casados, foram lecionar numa cidadezinha distante...

Conversando com um companheiro de viagem, antes mesmo de chegar a Santa Cruz das Pedras, tomaram conhecimento da lenda que levara a cidade a ser conhecida como Santa Cruz das Almas Penadas.

- Por quê “das Almas penadas”? - perguntou curioso o Léo.

Porque havia um casal de velhinhos que morava em uma casa e foram assassinados por um ladrão que acabou sendo morto também pela polícia.

Os herdeiros não tomaram nenhuma providência para apossar-se da casa e esta ficou fechada, o mato crescendo a volta num abandono completo. E foi então que começaram a aparecer fantasmas na mesma.

- Fantasmas!? Que coisa sinistra!

Léo estava cada vez mais interessado na história, mas Magda não estava gostando, já começava a sentir arrepios.

Era só o que faltava! Eles irem parar em uma cidade assombrada “Santa Cruz das Almas Penadas”!

- Dizem que são as almas dos velhos que querem se vingar do assassino, e a deste que não encontra a Paz por causa de seu crime..

- E daí?

- Ninguém se atreve a passar muito perto, mas dizem que há um assobio constante lá dentro e de vez em quando aparecem à noite luzes, vozes e fantasmas que podem ser vistos e ouvidos de longe.

Todos se fecham em casa e os mais religiosos fazem uma corrente de orações pelas almas penadas. Até que tudo se aquieta e a casa fica mergulhada na escuridão.
E o que você acha que os fantasmas podem fazer para as pessoas terem tanto medo?

- Não sei, mas ninguém quer pagar pra ver.

Léo gargalhava por dentro. O fantasma não o atemorizava, pelo contrário, antes de descer na pequena estação já estava decidido a desvendar esse mistério, desmascarar quem estivesse fazendo essa brincadeira.

Magda, um tanto apreensiva com o começo do casamento, a sua iniciação como professora, a experiência de, pela primeira vez, sair de sua cidade, da proximidade de seus familiares e amigos, ficava apavorada com o entusiasmo do Léo.

- Você está louco! Nem bem chegamos e já está querendo arranjar confusão. Vamos fazer o nosso trabalho do melhor modo possível e procurar viver amigavelmente com todos que é melhor..

- Mas eu vou fazer o meu trabalho muito bem feito, fazer amizade com todo mundo e desvendar o mistério das Almas Penadas.

No dia seguinte foi conversar com o único soldado que fazia a segurança da cidadezinha pacata.

- Não, professor! De jeito nenhum eu vou mexer com isso. Afinal eles não fazem mal a ninguém, pra que provocar?

- Mas você não acha que deve haver alguma coisa por trás disso? A troco de que alguém ia inventar uma brincadeira dessas?

O soldado arregalou os olhos:

- Isso é coisa do além, de almas penadas ou do próprio demônio.

- Você acredita mesmo nisso?

- Por que não? Há tanto mistério neste mundo!

Mas Léo não era homem para recusar um desafio.

Numa tarde, enquanto Magda foi à cabeleireira, aproveitou sua ausência para ir ver de perto a casa assombrada.

A luz do dia era apenas uma casa abandonada rodeada de mato.

Não foi difícil arrombar o cadeado simples que fechava a porta do fundo e adentrar a casa.

Logo a entrada, como que a espantar qualquer intruso estava uma caveira que Léo logo percebeu ser artificial, uma tosca escultura, e mais para dentro, todo o material usado para os efeitos sonoros e visuais que assustavam os moradores, lençóis brancos, fogos de artifícios e em um dos quartos o principal, uma quantidade considerável de drogas e armas.

O resto foi óbvio.

Léo foi à polícia, fez a denúncia anônima e acabou com a brincadeira dos traficantes e o diferencial da pacata Santa Cruz das Pedras, ex-Santa Cruz das Almas Penadas.

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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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