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Publicado: Terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A casa da minha vó

A casa da minha vó é o melhor lugar do mundo.

É bem grande e meio bagunceada.

Lá pode tudo, ou quase tudo. Pode subir no sofá da sala, botar as almofadas no chão, ligar a TV bem alto, correr pela casa atrás do cachorro e comer tudo que quiser.

O quintal é enorme, tem árvores, grama, terra. Meus primos maiores armaram um balanço e fizeram até uma casinha em cima da mangueira, só que eu não consigo subir lá e eles dizem que é o seu esconderijo onde criança não entra.

Os passarinhos vêm comer amora na amoreira e cantam para a gente ouvir.

É proibido atirar nos passarinhos, mas, podemos assobiar para eles e eles, às vezes, respondem, mas nunca sabemos se eles estão nos respondendo ou estão conversando entre eles.

Todos os sábados e domingos nós vamos pra lá, eu, meu pai, minha mãe, meus irmãos e todos os meus tios e primos.

A casa, o quintal, a rua ficam cheias, parece dia de festa!

Todos almoçam, lancham, tomam banho, conversam, às vezes brigam, meus avós ficam aturdidos, mas, quando vamos embora e eles ficam a sós, tudo é invadido por uma paz muito grande, um silêncio tão profundo que eles acabam sentindo saudade da confusão.

Durante a semana eu volto lá algumas vezes, quando meus pais viajam, a empregada falta, não tem aula na escola ou a mamãe e o papai brigam.

Meus primos também voltam pelos mesmos motivos, de modos que sempre tem alguns de nós por lá.

Nós levamos a lição da escola para fazer, mas nunca fazemos mais do que a metade.

Minha tia almoça lá todos os dias porque fica mais perto do trabalho dela.

Meu tio sempre vai filar a janta com a desculpa de que a comida da Vó e melhor do que a da mulher dele, e esta, então, vai conferir o que é que a comida da sogra tem que a dela não tem, e come também, é claro.

Quando a gente tem ”vontade”, é para a Vó que a gente pede, pois nossas mães não gostam de cozinhar, não tem tempo e não sabem fazer nada gostoso.

O Vô diz que quando a Vó morrer vai acabar o arroz doce, o pé de moleque, a bala puxa-puxa, a maria-mole, etc., porque ninguém sabe nem quer aprender a fazer esses doces.

Mas a Vó não vai morrer nunca! Nós não vamos deixar!

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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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