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Publicado: Segunda-feira, 5 de julho de 2010

A caixinha misteriosa

A cidade estava em polvorosa. Os munícipes, desgostosos com certas atitudes do Prefeito, faziam-lhe ameaças terríveis e ele estava apavorado.

Naquela manhã, quando abriu o portão da garagem, viu no chão, junto à porta de entrada da casa, uma caixa cuidadosamente embrulhada para presente.

Temeroso pegou-a com cuidado e viu que era muito pesada para o seu tamanho. Que conteria? Seria uma bomba? Quanto poderia pesar uma bomba-relógio?

Sabia que podia ser uma brincadeira, aliás, esta era a maior probabilidade, mas, e se não fosse?

Resolveu telefonar para a polícia.

Os policiais vieram prontamente e, embora considerando a pequena possibilidade de ser um atentado, acharam melhor isolar a área, evacuar as casas vizinhas e requisitar de outra cidade. especialistas em desmontar bombas.

Repórteres e curiosos logo souberam do fato e acotovelavam-se junto ao cordão de isolamento, todo mundo querendo e temendo ao mesmo tempo presenciar a explosão da "coisa”.

Vieram os homens e, cuidadosos e cerimoniosamente,desataram os laços, tiraram o papel e abriram a caixa.

Dentro não havia bomba alguma. Apenas areia, pedras e sobre elas uma flor murcha e um bilhete lacônico:

"Isto é tudo o que você merece, pelo seu aniversário".

O aniversário do prefeito seria dali a uma semana e a mensagem foi prontamente interpretada como uma ameaça de morte.

Terra, pedras, flor murcha... só podia significar sepultura, cemitério...

E o prefeito, cada vez mais apavorado pediu para reforçar a sua segurança pessoal.
O delegado dizia que estava tomando todas as providências para apurar quem era o autor daquilo, brincadeira ou ameaça, mas, na verdade, sentia-se um tanto ridículo.

Não é crime perder um embrulho na rua.

O bilhete não tinha destinatário.

Como provar que era dirigido ao Prefeito? Só porque estava perto da casa dele? Já tinha resolvido não fazer nada, esperar que a poeira abaixasse por si mesma, quando foi procurado por dois garotos.

O maior, adolescente, bem vestido e bem falante, o outro um menino de rua, assustado.

- Queremos falar sobre o presente do prefeito.

- Ah! E o que vocês sabem?

O rapazinho falou:

- Aquele embrulho, fui eu que fiz e paguei dez reais para este moleque entregar para a minha namorada. Eu tinha brigado com ela e estava com muita raiva. Achei que ela não merecia um presente de verdade.

Quando vi o que aconteceu fiquei sabendo que este malandro não fez a entrega Ele vai contar porque deixou a encomenda perto da casa do Prefeito.

O pivetinho tremendo gaguejou:

- O pacote estava muito pesado. A casa da menina era muito longe. Por isso deixei ele na rua. Eu nem sabia que aquela era a casa do Prefeito.

E já chorando:

- Não me prenda, doutor! Eu juro que quando eu tiver dez reais eu devolvo pra ele.

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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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