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Publicado: Domingo, 11 de março de 2007

A Caixa d'Água

A Caixa d'Água
Como era difícil a vida antes de inventarem a caixa d’água, os encanamentos, as torneiras, o chuveiro elétrico, etc. Não que eu me recorde, pois quando nasci todas essas coisas já existiam. Mas conversei com pessoas mais velhas e fico imaginando o trabalho que dava para ficar tirando água do poço ou do rio mais próximo, encher tinas pra lavar roupas e louças, tomar banho de caneca.
 
Hoje quase não damos valor para a água que temos em casa. Tudo é fácil, basta girar a torneira e ela está lá. Nem lembramos que muitas pessoas ainda não possuem esse que no Brasil é um “luxo”. Água limpa e quente à disposição 24 horas do dia. Não é à toa que tantas campanhas de conscientização tentam nos fazer usar racionalmente a água de que dispomos, pois se trata de algo muito importante para nossas vidas.
 
A água que temos em casa vem dos reservatórios da cidade, entrando nas caixas d’água que permanecem cheias sobre as nossas cabeças, instaladas nos telhados das nossas casas. Só lembramos da caixa d’água quando algum problema acontece, como uma bóia quebrada, por exemplo.
 
É importante que ela esteja funcionando bem e permaneça sempre cheia, senão a criançada fica sem tomar banho, a dona-de-casa não tem como lavar os pratos depois do almoço e seu marido não tem como lavar o quintal no final de semana. Nem as flores do jardim poderão ser regadas, coitadinhas.
 
O coração humano é como se fosse uma caixa d’ água, pois também precisa estar sempre cheio. Os sentimentos que somos capazes de expressar e viver é que nos diferenciam dos outros animais. Um cão sabe o que é a dor, mas não sabe filosofar sobre ela. Um passarinho sente a morte chegando, porém não tem como falar dela com outros de sua espécie. Viver é sentir, sentir é viver. Quem tem um coração vazio, não vive e não sente. E então a própria vida passa a não ter mais sentido.
 
O grande desafio é escolher com o que encher o nosso coração. Muitos vão atrás de ilusões mundanas, como as drogas, a libertinagem, o consumismo, a vaidade. Porém essas coisas são pequenas demais para preencher-nos por dentro. Fica sempre a sensação de que algo está faltando.
 
Somente as virtudes que vêm de Deus podem nos satisfazer completamente. Devemos todos procurar encher o coração de paz e amor, sabedoria e humildade, entre outras coisas. Deus é o grande reservatório que possuímos. Ele é a fonte infinita a nos disponibilizar o necessário para sermos realmente felizes.
 
Se é inteligente aderir às campanhas que nos pedem para racionalizar o uso da água, mais inteligente ainda é aderir ao chamado divino para utilizarmos da melhora maneira possível o que temos guardado no coração. Não basta sermos bons, temos que participar. Nossos sentimentos, entre eles a fé que carregamos conosco, devem dar origem a ações e obras em favor dos pobres e doentes, marginalizados e esquecidos pela sociedade.
 
Ter o coração cheio de bons sentimentos traz benefícios para nós e para os que nos cercam. A vida ganha uma leveza extremamente animadora, os desafios passam a ser encarados com mais vigor, a convivência com os defeitos e diferenças dos nossos irmãos e irmãos são tolerados com um sentimento de caridade fraterna, a prática do perdão torna-se comum e libertadora. Com tudo isso, nossa vida produz frutos positivos automaticamente e até mesmo quando menos esperamos.
 
Não deixe o seu coração vazio. Peça a Deus que o preencha até nos cantinhos mais escondidos. Ele que é nossa fonte inesgotável, saberá colocar no seu coração o que mais for necessário para a sua felicidade. E assim você também poderá sair por aí distribuindo essa alegria que vem do céu, chega ao coração humano e se espalha pela vida de todos nós.
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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