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Publicado: Sexta-feira, 15 de março de 2019

A arte de cozinhar

Crédito: Domínio Público A arte de cozinhar

NA COZINHA O ÓLEO FRIGE na panelinha. A massa é mexida na tigela: um pingo de leite condensado, um tantinho de fermento, sabe-se lá quanto de farinha de trigo, uma pitada de amido e um teco de açúcar.

Ninguém repete a poção: que tantinho é esse? E o teco, quanto que é? Vai saber... e não importa: o ingrediente principal não é vendido no comércio.

Aos poucos a massa mole é colocada a fritar aos pingos, e derrubada preguiçosamente da colherinha que a contém. Um a um – três ou quatro de cada vez – surgem pequenas bolinhas crocantes.

Passadas na toalha de papel, rolam no prato sobre canela e açúcar cristal. Feitos amorosamente, não é à toa que a iguaria se chama “sonho”.

Nas antigas histórias infantis, as bruxas preparavam durante horas suas poções mágicas no caldeirão. Em minoria, alguns magos também o faziam.

Qual é o segredo do sucesso dos feitiços?  Entre outros, a energia existente na produção. Lembram que elas também faziam invocações?

Atualmente há uma preocupação permanente com calorias, carboidratos, gorduras, lactose etc. Poucos atentam para o fato de que a maneira de se preparar um alimento faz a diferença no resultado final.

O que consumimos pode fortalecer ou enfraquecer, harmonizar ou desarmonizar o nosso campo de energia, abrindo espaço para a manifestação de diversas doenças.

Preparar uma refeição é mais do que despejar uma lata, fritar ou mexer uma panela de qualquer jeito. É um ritual de transformação física e energética.

A cozinha é o ambiente onde acontecem as grandes transformações, quando poucos ingredientes se tornam uma refeição maravilhosa, que sacia a fome física, emocional e energética.

Quando cozinha, você imprime nos alimentos as suas energias, como irritação, sono, raiva, alegria, ansiedade ou amor. As avós já diziam que se não estiver bem, não bata um bolo, pois ele não cresce e afunda.

Da mesma forma que os alimentos interagem com o nosso ser, nós também interagimos com eles durante o seu preparo. Quanto maior a intenção amorosa ou as boas vibrações, mais carregada de saúde e prosperidade fica a receita.

Não nos alimentamos apenas pela boca. Comemos também com os olhos, o olfato e a emoção. O cuidado na apresentação também conta.

Nada de jogar a comida de qualquer jeito na travessa ou no prato. Sirva de forma harmônica e bonita. Ao mudar a apresentação você também transmuta.

Brigas à mesa? Nem pensar!  Não há preparo de alimento que resista a avalanche de adrenalina e energia destrutiva. E mais: não coma como um troglodita. Saboreie, perceba o aroma, a textura e as diferenças de sabores. O estômago agradece e a alma também.

Bom apetite!

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História & Cotidiano

Katia Auvray

Katia Auvray

Historiadora e escritora. Autora dos livros "Cidade dos Esquecidos - A vida dos hansenianos num antigo leprosário do Brasil" e da coleção infanto-juvenil "Magia da História", sobre a história da cidade de Salto/SP. Também é Mestre Reiki.

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