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Publicado: Segunda-feira, 21 de abril de 2008

A Ailurófoba

Julinho realizou o seu sonho de consumo, comprou um casal de gatos angorás, lindíssimos, e se dispôs a começar uma criação. Pretendia vender os filhotes e, mesmo que não tivesse grande lucro com o negócio, seria divertido, pois ele gostava muito dos bichanos.
 
Quando nasceu o primeiro filhote, foi uma festa!
 
Julinho curtiu a gravidez da gata com emoção e entusiasmo só comparáveis a de um orgulhoso pai esperando o seu rebento.
 
Os amigos e, principalmente, as amigas faziam brincadeiras, caçoavam com ele, mas participavam da expectativa e, todo dia, perguntavam pela saúde da “Lady Cat” como chamavam carinhosamente a mamãe gata.
 
E quando o Baby Cat nasceu todo mundo curtiu muito o lindo gatinho branco, peludo e macio.
 
Entre as amigas de Julinho, havia uma, a Violeta, que, mais do que todas, se apaixonou pelo gatinho (ela curtia, também, uma paixão secreta pelo rapaz.)
 
Quase todos os dias, ia visitar o Baby Cat e dar uma olhadinha também no seu dono.
 
O plano de vender os gatinhos ficou adiado para a próxima ninhada. Imagine só se o ele ia vender aquela belezinha!                              !
 
O Julinho arranjou uma namorada, a Eloísa, uma linda garota por quem logo se apaixonou.
 
Depois de saírem juntos algumas vezes e de conversarem muito, certo de que estava gostando dela de verdade e que o namoro era para valer, ele resolveu dar lhe um presente especialíssimo.
 
Colocou o Baby Cat em uma cestinha enfeitada e levou para ela.
 
Até certo ponto era um presente simbólico. O bichano ia morar na casa dela e ele continuaria curtindo o talzinho.
 
Mas, qual não foi a sua surpresa quando ela pegou a cestinha toda sorridente, e, quando viu o gato, deu um grito jogou no chão, entrou correndo em casa e bateu a porta.
 
Julinho catou o Baby e a cestinha e foi embora muito desenxabido.
 
Meu Deus! Que gafe! Devia ter se informado, antes, se ela gostava de gatos! Mas, também ela foi muito grossa! Precisava fazer um escândalo desses?
 
Entre raivoso, desapontado e confuso ele foi andando pela rua e de repente teve uma idéia.
- Violeta! Eu vim trazer um presente para você.
- Não posso acreditar! Você esta me dando o Baby Cat?!
- Sim. Eu sei que ninguém gosta mais dele de que você. Quero que você seja a “Humane Mother” dele.
 
Violeta não cabia em si de contente. Ganhará o gatinho cobiçado e... quem sabe? O Gatão também?
 
Alguns dias depois a Heloísa ligou para o Julinho:
- Me desculpe! Acontece que eu sofro de ailurofobia e não consigo me controlar quando vejo um gato. Faço cada papelão! Mas não tem jeito... não consigo evitar...
- Me desculpe, você. Não sabia que você tinha ali... tosse engasga... (como é mesmo? Ailurofobia! Nunca vi esta palavra antes...)
 
Mas, fobias a parte, o namoro continuou, chegaram ao noivado, ao casamento, tiveram muitos filhos e foram felizes para sempre.
 
E a criação de gatos?
 
Ora, ficou para a próxima encarnação, isto é, se o Julinho não se apaixonar de novo por uma ailurófoba.
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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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